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Zé do Carmo (ceramista e pintor)

 

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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         José do Carmo Souza, mais conhecido como Zé do Carmo, nasceu no dia 19 de dezembro de 1933, em Goiana, Pernambuco, filho da artesã Joana Izabel de Assunção e do padeiro e artesão de máscaras em papel machê, Manuel de Souza dos Santos.

 

         Seus pais eram de Igarassu e, em 1930, quando ainda eram noivos foram morar em Goiana para viver do artesanato, casando-se em 1932.

 

         Cursou apenas o ensino fundamental e aos sete anos, em 1940, Zé do Carmo, imitando seus pais, começou a fazer figuras de barro para vender nas feiras locais.

 

         No início copiava o estilo da mãe, esculpindo figuras de agricultores, mendigos, carregadores de açúcar e de água, jornaleiros, tocadores de bandolim, apanhadores de papel.

        

         Depois dando asas a sua criatividade e imaginação resolveu fazer anjos “com cara de gente”. Sua mãe, católica fervorosa, o proibiu de fazer aquelas imagens profanas. Só depois que ela morreu Zé do Carmo começou a esculpi-los, inaugurando uma nova fase que chamou de “transfiguração humana”. Segundo o artista "Em vez de tocar harpa e lira, meus anjos tocam instrumentos do Nordeste, vestem bata do beato do sertão e têm cara de gente”

 

Produziu mais de seis mil peças. Sua arte é reconhecida e apreciada na maioria dos estados brasileiros e no exterior, em países como a Alemanha e os Estados Unidos.

 

         Conhecido desde 1947 pela sua arte, possui um conjunto de esculturas cerâmicas, algumas em tamanho natural, além de um rico acervo com peças feitas por seus pais, seus alunos e uma significativa quantidade de objetos, documentos e antiguidades no seu ateliê, na Rua Padre Batalha, em Goiana, muito visitado por turistas brasileiros e estrangeiros.

 

         Um dos seus grandes desejos é transformar seu local de trabalho em uma casa-museu, com a catalogação e exposição de suas preciosidades, como oAnjo do sertão, uma escultura com cerca de dois metros que ele fez para presentear ao Papa João Paulo II, na sua visita ao Brasil em 1980, e que foi recusada pela Igreja Católica, ficando famosa e proporcionando ao artista um reconhecimento internacional. “Tem gente que vem de longe só pra ver esse anjo”, informa. 

 

         Uma outra obra polêmica de Zé do Carmo é o Vovô natalino, um Papai Noel nordestino, que veste gibão, alpercatas e chapéu de couro, que foi feita em  homenagem ao folclore do Nordeste e inaugurada com a presença de Gilberto Freyre.

 

         Foi durante muito tempo professor de modelagem em barro e proporção, além de ter esculpido também em pedra. Segundo ele, seus primeiros trabalhos eram muito populares, mas depois conseguiu fazer esculturas com proporções acadêmicas como uma imagem do Padre Cícero, peça também exposta no seu ateliê.

 

            Atualmente se dedica mais a pintura do que a escultura cerâmica. Desde criança, o desenho e a pintura sempre foram suas grandes paixões.

 

         Zé do Carmo foi um dos contemplados como Patrimônio Vivo de Pernambuco, através da Lei estadual nº 12.196 de 2 de maio de 2002, e segue ensinando sua arte para as novas gerações.

 

                                                                 

Recife, 29 de maio de 2006.

(Atualizado em 9 de setembro de 2009).

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

AMORIM, Maria Alice. Joana e os cangaceiros de asas.. Continente Documento, Recife, ano 4, n.43, p.22-25; mar. 2006.

 

ARTISTA criou anjos do sertão. Disponível em: <http://www.pernambuco.com/diario/2004/05/14/especialgoiana8_1.html> Acesso em: 10 maio 2006.

 

PATRIMÔNIO Vivo. Diario de Pernambuco, Recife, 31 jan. 2006. Especial

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: GASPAR, Lúcia. Zé do Carmo (ceramista e pintor)Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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