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Ulysses Pernambucano

Maria do Carmo Andrade
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco 
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Ulysses Pernambucano de mello Sobrinho era médico, psiquiatra, professor e psicólogo, mesmo antes da regulamentação da profissão, que só foi ocorrer 21 anos depois da sua morte.

Procedente de tradicional família pernambucana e relativamente bem situada social e financeiramente, Ulisses teve uma boa educação. Filho de Dr. José Antonio Gonçalves de Mello, que era formado em Direito e de D. Maria da Conceição de Mello, que chegava a ser parente do esposo.

 

Nasceu no Recife, em 6 de fevereiro de 1892 e foi alfabetizado pelo seu pai em sua própria casa. Continuou os estudos no Ginásio Aires Gama, educandário particular que ficava na rua do Hospício.

 

Ainda jovem, decidiu-se pela carreira médica. Na época não havia Faculdade de Medicina no Recife, e Ulisses, ainda adolescente, foi estudar no Rio de Janeiro.

 

Escolheu a psiquiatria como especialidade, nos últimos anos do curso, foi acadêmico interno do Hospital Nacional de Alienados, na Praia Vermelha. Foi supervisionado pelo professor Juliano Moreira, o fundador da Psiquiatria brasileira, e teve oportunidade de presenciar verdadeira revolução nos procedimentos médicos e na humanização das condições de vida dos pacientes internados.

 

Em 1912, defende a tese Sobre algumas manifestações nervosos da Heredo-Sífiles, obtendo o grau de Doutor em Medicina. Formado, voltou a Pernambuco e abriu consultório na cidade de Vitória de  Santo Antão, onde em decorrência das precárias condições de vida e das necessidades da população, atuou também como médico generalista.

 

Em 1914, transferiu-se para cidade paranaense de Lapa, já consolidado profissionalmente. Casou, em 1915, com a doutora Albertina Carneiro Leão, sua prima. Deste casamento nasceram dois filhos: José Antonio Gonsalves de Mello Neto, que se consagraria como historiador e docente da Universidade Federal de Pernambuco e Jarbas Pernambucano de Mello. Jarbas seguindo a carreira do pai formou-se em Medicina e, através de concurso, sucede o pai na cadeira de Clínica Neurológica, mas faleceu prematuramente, interrompendo uma já brilhante carreira médica e docente.

 

Em 1916, estabelecido profissionalmente no Paraná, sente saudades da terra e da sua gente e volta ao Recife, trazendo consigo grande experiência de médico de interior, para abrir consultório de Psiquiatria.

 

Em 1918, foi formalmente criada, no Recife, a cadeira de Psicologia e Pedagogia na Escola Normal Oficial do Estado de Pernambuco, sendo então aberto concurso para esta cátedra.

 

Ulysses concorreu com a apresentação da dissertação:Classificação das crianças anormais. A parada do desenvolvimento intelectual e suas formas; a instabilidade e a astenia mental. Foi classificado em primeiro lugar, mas por motivos políticos, o então Governador do Estado, Manoel Borba, nomeia o segundo colocado, para provimento da cátedra.

 

No mesmo ano, Ulysses inscreve-se para o concurso de professor catedrático de Lógica, Psicologia e História da Filosofia, novamente consegue o primeiro lugar e desta vez é nomeado pelo Governador do Estado, para professor catedrático do Ginásio Pernambucano, onde anos mais tarde seria Diretor.

 

Em 1923, Ulisses foi nomeado pelo Governador Sérgio Loreto, Diretor da Escola Normal, em cuja função se manteve até 1927. Sua gestão foi marcada por reformas de caráter social. Introduziu o exame de seleção para admissão à Escola Normal, quando anteriormente o ingresso nesse estabelecimento obedecia a critérios de amizade ou apadrinhamento. Instituiu, ainda, o jornal, a merenda escolar, os exames de promoção por média em conjunto, e outras medidas.

 

Antes de criar o Instituto de Psicologia, em 1925, Ulysses preparou o pessoal para lidar com o trabalho a ser iniciado e como diretor reuniu pessoas interessadas nessa área, como Anita Paes Barreto, que assumiu a direção no biênio 1927-1928, Sílvio Rabelo, Ana Campos, Anita Costa, Maria das Neves Monteiro, Maria Leopoldina de Oliveira, Alda Campos, Helena Campos, Maria de Lourdes Vasconcelos, Cirene Coutinho, Celina Pessoa, entre outros.

 

Neste mesmo ano, Ulysses consegue do Governo do Estado a criação da primeira escola para crianças excepcionais do País. Em 1928, deixa a direção da Escola Normal e assume a direção do Ginásio Pernambucano, onde realizou várias melhorias.

 

Foi nomeado pelo então Governador do Estado, diretor do Instituto de Seleção e Orientação Profissional, continuando, todavia, à frente do Ginásio Pernambucano. Ulisses era também professor de Neuro-Psiquiatria Infantil, na Faculdade de Medicina. Ocupou, depois do falecimento do Dr. Gouveia de Barros, a cadeira de Clínica Neurológica.

 

Em 1930, deixando a direção do Ginásio nas mãos de Olívio Montenegro, foi convidado pelo Interventor Carlos de Lima Cavalcanti, para direção dos serviços de Assistência aos Psicopatas da Tamarineira. Ali, o aparelhamento era insuficiente e os métodos terapêuticos absolutamente inadequados. Ulysses foi considerado reformador da Tamarineira, acabando com os calabouços e camisas de força e teve papel importante na expansão dos estudos científicos sobre psicopatas em Pernambuco. Realizou vários estudos e pesquisas, muitas das quais publicadas no Jornal de Medicina de Pernambuco; nos Arquivos de Assistência a Psicopatas de Pernambuco e na Revista Neurobiologia, os dois últimos criados por ele, em 1931 e 1938, respectivamente. Publicou também:

  

  • Bases fisiopsicológicas da ambidestria, 1924;
  • As medias de estatura dos escolares em Pernambuco, 1927;
  • As doenças mentais entre os negros de Pernambuco, 1935.

Ulysses Pernambucano de Mello, sempre atuou em defesa das minorias marginalizadas da sociedade, tais como, crianças excepcionais, doentes mentais, negros e adeptos de seitas africanas.

Ao assumir essa posição foi muitas vezes mal interpretado, sendo acusado de comunista, gerando conflitos e dificuldades nas ações administrativas em decorrência da redução das verbas para manutenção da qualidade do atendimento aos pacientes da Assistência a Psicopatas. Ulisses, então, chega ao seu limite. Em 8 de novembro de 1935, pede demissão do cargo de diretor da instituição que implantara.

 

Em 27 de novembro de 1935, surge em alguns pontos do País a denominada Intentona Comunista. Ulysses, persona non grata ao regime de força então vigente, é denunciado pelos seus adversários como “comunista” e “subversivo”, sendo detido e preso na Casa de Detenção do Recife, por 60 dias.

 

Em 1936, já cansado das perseguições e injúrias, sofre um ataque cardíaco, que comprometeu seu coração.

 

Em 1937, um grupo fiel de colaboradores, se solidarizou publicamente com o “Mestre” e publicou os Estudos Pernambucanos, dedicados a Ulysses Pernambucano. Apesar das amarguras vivenciadas, Ulisses ainda encontra forças para lutar por seus ideais. Assim em 12 de julho de 1936, funda o Sanatório Recife, instituição modelar de prestação de serviços aos doentes mentais, na rua do Padre Inglês, n. 257. Surgindo como o primeiro do Estado no âmbito da iniciativa privada, logo se tornou um centro psiquiátrico de reconhecido valor.

 

Acolheu no hospital muitos de seus discípulos, como Arnaldo Di Lascio, René Ribeiro, Luiz Cerqueira,entre outros, os quais se tornaram posteriormente expoentes na psiquiatria pernambucana. Abriu seu hospital a todos os médicos que quisessem acompanhar o tratamento de seus doentes.

 

Morreu no Rio de Janeiro, no dia 5 de dezembro de 1943.

 

 

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

 

 

MEDEIROS, Adailson. Ulisses Pernambucano, psicólogo. In: ROSAS, Paulo. (Org.). Memória da Psicologia em Pernambuco. Recife: UFPE, Ed. Universitária;: Conselho Regional de Psicologia, 2001. p.67-81.

 

______. Ulisses Pernambucano. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2001.

 

ULISSES Pernambucano. In: SILVA, Jorge Fernandes da. Vidas que não morrem. Recife: Governo do Estado de Pernambuco, 1982. p.447-449.

 

 

 

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

 

 

ANDRADE, Maria do Carmo. Ulysses Pernambucano. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

 

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