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Teatro do Parque

Semira Adler Vainsencher

Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco

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O Teatro do Parque está situado na rua do Hospício, número 81, no bairro da Boa Vista, cidade do Recife. É uma construção anexa ao Hotel do Parque e bem próxima à Igreja da Boa Vista. Apesar de possuir uma fachada estreita, o terreno do teatro apresenta um alargamento após a entrada, como se, de repente, tivesse virado uma concha. Nesta concha - cujo espaço é bastante amplo - o teatro propriamente dito foi construído. O mesmo contém cadeiras de madeira para a platéia, ventiladores de teto, uma escada para o primeiro andar (também com cadeiras), e um palco - o atual cine-teatro. Na lateral direita do terreno, é possível se observar ainda um jardim a céu aberto, com inúmeras árvores, plantas, e um caramanchão antigo.

 

O Teatro do Parque foi edificado por um comerciante português, o Comendador Bento Luís de Aguiar, que nele investiu duzentos (200) contos de réis, e foi inaugurado pela Companhia Portuguesa de Operetas e Revistas do Teatro Avenida, de Lisboa, na noite de 24 de agosto de 1915. A referida Companhia foi ao Rio de Janeiro para apresentar a revista de costumes O 31, de Luís Galhardo.

 

O prédio foi construído em art-nouveau, e sua decoração entregue aos pintores Henrique Elliot e Mário Nunes. No início do século XX, os bondes circulavam pelos trilhos da rua do Hospício e paravam na frente do teatro, após o término de cada sessão noturna, para conduzir os passageiros - no caso específico, a platéia e o elenco - às suas residências ou hotéis onde se hospedavam.

 

Vale registrar duas informações interessantes, no tocante à história dessa casa de espetáculos. Por ocasião de sua inauguração, em primeiro lugar, as pessoas tinham que adquirir os ingressos para o teatro no bilhar do Hotel do Parque, uma vez que naquele não havia bilheterias. Segundo que, durante muitos anos, a firma A. Di Maia & Cia. arrendou o jardim e o buffet do teatro.

 

O Teatro do Parque possui uma pinacoteca de excelente qualidade, reunindo obras de arte de vários artistas renomados, tais como Abelardo da Hora, José Corbiniano Lins, Maria de Jesus Costa e Valdemar Chagas. Podem ser apreciados, ainda, quadros de Hélio Feijó, Baltazar da Câmara, Guita Charifker, Delano, Augusto Rodrigues, Wellington Virgulino, José Cláudio, Lula Cardoso Ayres, Lauria, Manezinho Araújo, Ladjane e Joaquim do Rego Monteiro.

 

No vestíbulo do teatro, estão expostas três placas contendo dados sobre a sua inauguração e suas restaurações. A primeira placa, datada de 13 de dezembro de 1959, foi uma homenagem da Prefeitura Municipal do Recife ao Comendador Bento Luís de Aguiar, que idealizou e construiu o teatro. A segunda placa, uma homenagem das instituições culturais e artísticas do Recife, agradecendo ao Comendador Bento Luís de Aguiar por ter construído a casa de espetáculos e a inaugurado no dia 24 de agosto de 1915, bem como ao Prefeito Pelópidas Silveira, que a restituiu aos recifenses, no dia 13 de dezembro de 1959. Cabe salientar que, na época, a re-inauguração do teatro ocorreu com a apresentação da peça Onde canta o sabiá, dirigida por Hermilo Borba Filho. E, finalmente, uma terceira placa, datando de 25 de janeiro de 1969, representando uma homenagem da cidade do Recife ao Prefeito Augusto Lucena, por ter realizado outras obras de restauração do teatro.

 

Grandes companhias brasileiras passaram pelo palco do Teatro do Parque, como as de Vicente Celestino e Alda Garrido; e foram encenadas as primeiras peças da famosa dupla Samuel Campelo/Valdemar de Oliveira.

 

Na época do cinema mudo, o teatro apresentava os filmes - que eram passados em uma tela - acompanhados por vários músicos. Um deles, o maestro e compositor Nelson Ferreira, se tornou famoso, posteriormente. O teatro consagrou também o cinema falado. De 1929 a 1959, o espaço foi arrendado pelo Grupo Luís Severiano Ribeiro que lançou os filmes da Disney e algumas chanchadas brasileiras.

 

Em um gesto bastante inovador, a Prefeitura do Recife e o Instituto Nacional do Cinema firmaram um convênio, e inauguraram no Teatro do Parque, no dia 3 de dezembro de 1973, o primeiro cinema educativo permanente do Brasil, proporcionando à população pernambucana o acesso a inúmeros filmes que não eram exibidos em cinemas convencionais e que valiam a pena ser assistidos e apreciados.

 

A despeito de se ter hoje, no Recife, o moderno Centro de Convenções, com novas salas de espetáculos contendo poltronas confortáveis e ar condicionado, o referido teatro continua sendo um marco na vida cultural do Estado. É precisamente nesse cine-teatro que a população menos favorecida, do ponto de vista econômico, os intelectuais, bem como muitos estudantes, ainda podem assistir a apresentações folclóricas regionais - de música, de canto, de poesia -, e ter acesso, a preços populares, a sessões de cinema, apresentações de artes cênicas e shows de diversos tipos. Hoje essa casa abriga, inclusive, a Banda da Cidade do Recife. O Teatro do Parque representa, portanto, um espaço popular emblemático que, há quase um século, vem repassando cultura e saber à população pernambucana.

 

 

Recife, 17 de julho de 2003.

 

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

 

FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife: estátuas e bustos, igrejas e prédios, lápides, placas e inscrições históricas do Recife. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1977.

FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Dicionário histórico-biográfico brasileiro: 1930-1983. Rio de Janeiro: Forense/Universitária, 1984. v. 3 e 4.

 

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Teatro do Parque. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

 

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