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Oficina Guaianases de gravura

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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A Oficina Guaianases de Gravura, um dos movimentos artísticos mais significativos e duradouros do estado de Pernambuco, foi criada, em 1974, por iniciativa dos artistas plásticos João Câmara e Delano.

No início, funcionou no ateliê do pintor paraibano João Câmara, na Rua Guaianases, no bairro recifense de Campo Grande. Um grupo pequeno de artistas se reunia, aos sábados, no local, para a produção de litogravuras (gravura feita com matriz de pedra).

Com o crescimento do movimento, a Oficina passou a ser aberta para qualquer artista que tivesse interesse em participar.

O grande número de associados fez com que a Oficina se organizasse como uma sociedade sem fins lucrativos e precisasse de um espaço físico maior.

Em 1979, a Guaianases mudou-se para o Mercado da Ribeira, em Olinda passando a funcionar não mais só como ateliê, mas também como um local voltado para promover a arte da litogravura, por meio de cursos, exposições, edições de livros publicações e cartazes. Foram adquiridas novas prensas, contratados impressores profissionais, como Alberto e Hélio Soares, que passaram a produzir as gravuras em série. Foram criados uma Galeria para exposições permanentes de obras no local e cursos sobre litogravura, que eram ministrados por João Câmara e Delano. A Oficina cresceu e tornou-se um movimento artístico com repercussão nacional, deixando de ser apenas um grupo.

Participaram da Oficina Guaianases diversos artistas plásticos de vários estados brasileiros, além dos seus idealizadores João Câmara e Delano, entre os quais podem ser destacados Gilvan Samico, Guita Chafifker, Gil Vicente, Humberto Carneiro, Thereza Carmen, Luciano Pinheiro, José Carlos Viana, Tereza Costa Rego, Raul Córdula, Romero de Andrade Lima, Maria Carmen, Maurício Arraes, Maurício Silva, Liliane Dardot, Inalda Xavier, Isa Pontual, Jeanine Uchoa, José de Moura, Petrônio Cunha, José de Barros, José Paulo, José Carlos Xavier, Maria Tomaselli, Mário Ricardo, Marisa Lacerda, Marisa Varella, Rinaldo, Teresa Pacomio, Carlos Haarle, Francisco Neves, Nilza Torres, Flávio Gadelha, José Alves de Moura, José Cláudio.   

Durante a década de 1970, os temas mais recorrentes das litogravuras eram relativos à ditadura militar, denúncias e contestações políticas, além do erotismo da liberação sexual, muito característica da época. Nos anos de 1980, houve uma diversificação dos temas que se aproximaram mais da pintura.

Em 1980, a Prefeitura da Cidade do Recife publicou o álbum Imagens do Recife, contendo 15 litogravuras da Guaianases, de vários artistas, todas assinadas, timbradas e numeradas, com texto bilíngüe, representando a cidade em seus mais variados aspectos como a praia de Boa Viagem, o Recife antigo, seu Porto, suas pontes, o frevo, mocambos, mangues e caranguejos.

         Em 1994, diante de dificuldades e crise administrativa o grupo se desfez. Em janeiro de 1995, em assembléia geral, com todos os membros convocados previamente por edital, a Oficina Guaianases foi dissolvida. Seu acervo, contendo matrizes de trabalhos em papel, construído ao longo de 21 anos, com mais de duas mil litogravuras foi doado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e sua gestão passou para o Departamento de Teoria da Arte daquela Universidade, sendo atualmente chamada de Laboratório Oficina Guaianases de Gravura (LOGG).

Sob a guarda da Biblioteca Joaquim Cardozo, do Centro de Artes e Comunicação da UFPE, o acervo vem sendo recuperado e digitalizado, através de projeto financiado pela Petrobrás Cultural. Parte da coleção já está disponível no site www.ufpe.br/guaianases.

 

Em junho de 2008, o Consulado Geral do Brasil em Nova York, com produção da Universidade Federal de Pernambuco e o patrocínio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, sediou a exposição Oficina Guaianases e Laboratório OGG da UFPE: Tradição e Experimentação, apresentando litogravuras produzidas no período 1975-1994, além de trabalhos de professores do Laboratório Oficina Guaianases de Gravura (LOGG) da UFPE.  

 

Em fevereiro de 2009, a Galeria Capibaribe, no Centro de Artes e Comunicação da UFPE, realizou a exposição Oficina Guaianases de Gravura - Anos 70, divulgando peças do acervo doado à UFPE, que vai do popular ao erudito de inspiração popular, além de produções abstratas de arte moderna e contemporânea. Grande parte da coleção é de arte figurativa, com predominância de figuras femininas.

 

Recife, 27 de fevereiro de 2009.

(Atualizado em 31 de agosto de 2009).

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

IMAGENS do Recife. Recife: Prefeitura da Cidade do Recife, Secretaria de Planejamento eUrbanismo, 1980.

MINDÊLO, Olívia. Guaianases: acervo a salvo, restaurado e digitalizado. Disponível em: <http://www.nordesteweb.com/not10_1206/ne_not_20061004b.htm>. Acesso em: 26 fev. 2009.

MOVIMENTO teve repercussão nacional. Disponível em: < http://www.nordesteweb.com/not10_1206/ne_not_20061004b.htm.. Acesso em: 18 fev. 2009.

Oficina Guaianases. Disponível em:<http://teoriadearte.blogspot.com/2006/11/oficina-guaianases.html>. Acesso em: 16 fev. 2009.

 

UFPE expõe acervo da Oficina Guaianases. Disponível em: <http://www.universia.com.br/noticia/materia_dentrodocampus.jsp?not=47648>. Acesso em: 17 fev. 2009.

UFPE: Obras da Oficina Guaianases de Gravura são expostas em Nova York. Disponível em: <http://www.universia.com.br/noticia/materia_dentrodocampus_imprimir.jsp?not=42989.. Acesso em: 17 fev. 2009.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: GASPAR, Lúcia. Oficina Guaianases de Gravura. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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