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Nilo Coelho

Maria do Carmo Andrade

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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Nilo de Souza Coelho era médico, industrial, político e foi o primeiro governador de Pernambuco eleito por via indireta depois do Golpe Militar de 1964. Nasceu em 2 de novembro de 1920, em Petrolina, município pernambucano banhado pelo rio São Francisco que, com o vizinho município de Juazeiro, na Bahia, forma o maior aglomerado humano da Região do semi-árido, distante 734 km da capital, o Recife.

 

Filho de Clementino de Souza Coelho, conhecido como Coronel Quelé, patriarca de importante e poderosa família do sertão pernambucano e de Dona Josepha de Souza Coelho. Além de Nilo, o casal teve outros filhos: Dulcinéia, Maria Diva, Gercino, Darcy, Caio, José, Geraldo, Paulo, Oswaldo, Augusto e Adalberto.

 

Depois dos primeiros estudos em Petrolina, Nilo Coelho foi estudar no Colégio da Bahia, em Salvador. Bom aluno e orador requisitado, logo se tornou líder estudantil e aos poucos se envolveu com a política. Na época, o Brasil estava no auge do Estado Novo e a Europa estava em guerra. O Congressobrasileiro havia sido fechado, os partidos políticos extintos, as eleições livres suspensas e os meios de expressão passavam por rigorosa censura.

 

Nilo estava sempre à frente das passeatas que percorriam o centro de Salvador, conclamando a opinião pública a reagir contra a ameaça nazi-facista. Quando estava no quinto ano do curso de medicina, foi convocado para a guerra, mas não chegou a embarcar para a Itália. Assumiu, no entanto, o compromisso de prestar serviço militar logo depois de formado e, de fato, quando concluiu o bacharelado em 1944, entrou  para a Aeronáutica a fim de cumprir estágio na Força Aérea Brasileira, em Campo Grande no Mato Grosso.

 

Diante do momento político, o pai de Nilo Coelho o convenceu a largar a carreira médica e retornar a Petrolina para ingressar na política. Mesmo não se identificando plenamente com a ideologia do partido, filiou-se ao Partido Social Democrático (PSD) e começou sua campanha no Sertão, onde pôde contar com o apoio dos chefes políticos das cidades do interior. Foi o candidato mais votado daquela região, tendo sido eleito Deputado Estadual para o mandato de1947 a 1950.

 

Na Assembléia Legislativa, foi primeiro-secretário da Mesa Diretora; Membro da Comissão de elaboração da Carta Constitucional Estadual, 1947; Secretário da Fazenda do Estado de Pernambuco de 1952 a 1955;  Deputado Federal em quatro legislaturas, de 1950 a 1954, de 1954 a 1958, de 1958 a1962 e de 1962 a 1966; na Câmara dos Deputados, participou como membro da Comissão de Orçamento e Fiscalização Financeira, de 1955 a 1966, e exerceu o cargo de primeiro-secretário de 1965 a 1966.

 

Casou, em 1954, com Maria Tereza Coimbra de Almeida Brennand, no Engenho São João da Várzea, residência do tio da noiva, Ricardo Brennand. Nilo e Maria Tereza tiveram seis filhos: Eduardo, Maria Dulce, Maria Tereza, Maria Carolina, Maria Luciana e Maria Alice.

 

Em maio de 1966, durante a convenção estadual da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) pernambucana, Nilo Coelho foi indicado pelo então governador Paulo Guerra para as eleições indiretas do governo do Estado. Concorreu com dois candidatos, o advogado Eraldo Gueiros Leite e o General Antônio Carlos Murici, Comandante da 7ª Região Militar. Nilo foi eleito pela Assembléia Legislativa do Estado, em 3 de setembro do mesmo ano e tomou posse em 31 de janeiro de 1967, tendo como vice, o Deputado  Salviano Machado.

 

No seu governo, instituiu a Fundação de Desenvolvimento Municipal de Pernambuco (Fiam), órgão encarregado da integração dos programas municipais e estaduais, vinculado à Secretaria do Interior e Justiça. Criou a Companhia de Mecanização Agrícola e os Distritos Industriais de Pernambuco S/A, instituiu ainda o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (LAFEPE), o Instituto de Pesos e Medidas, a Comissão Estadual de Controle da Poluição das Águas, o Departamento de Trânsito de Pernambuco e substituiu a Imprensa Oficial por uma empresa de economia mista, a Companhia Editora de Pernambuco (CEPE).

 

Durante o governo de Nilo Coelho, é criado o Projeto Massangano, depois chamado de Projeto Senador Nilo Coelho, formado pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF) com mais de 20.000 hectares, considerado o maior projeto público irrigado do País. Ali foram implementadas as culturas permanentes de banana, manga, acerola, uva, coco, goiaba, capim e citrus, e as temporárias de feijão, melancia, tomate, abóbora e milho.

 

O empenho que Nilo Coelho tinha pela construção de estradas deu a ele o cognome de Governador Estradeiro. Implantou a Fundação de Ensino Superior de Pernambuco (FESP), hoje Universidade de Pernambuco (UPE). Eletrificou mais de 200 distritos, vilas e localidades da Zona da Mata, do Agreste e do Sertão. Concluiu a construção da barragem de Tabocas e muitas outras realizações. Ao deixar o governo, Nilo Coelho afastou-se da vida pública e foi cuidar dos negócios da família.

 

Em 1978, concorre em eleição direta ao Senado por Pernambuco, pela ARENA. O núcleo governista teve outro candidato, o ex-governador e industrial Cid Sampaio. Formaram-se, então a ARENA 1 e ARENA 2 com base no princípio da sublegenda. Em oposição aos arenistas candidatou-se Jarbas Vasconcelos, pelo Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Nilo Coelho vence a eleição graças a soma dos votos dos dois candidatos da ARENA.

 

Foi eleito Senador, tomando posse em fevereiro de 1979; Vice-Presidente do Senado de 1979 a 1980; Líder do Governo de 1981 a 1982 e Presidente do Senado para o biênio 1983-1985.

 

Pouco tempo depois de fazer um inflamado discurso no Senado, começou a apresentar sintomas de enfarto, sendo levado ao hospital, onde foi operado, mas não resistiu, falecendo no dia 9 de novembro de 1983.

 

O presidente Figueiredo decretou luto oficial de três dias, em todo território nacional, pela morte do senador, cujo corpo de Nilo foi trasladado para o Recife. O velório ocorreu no Palácio do Campo das Princesas e o enterro na sua cidade natal, Petrolina. A chegada do corpo do ex-senador ao município foi saudada pelos seus conterrâneos, tendo o féretro percorrido as principais ruas da cidade até chegar à casa da família Coelho.

 

Nilo Coelho recebeu muitas condecorações, entre outras se destacam: Medalha Pernambucana de Mérito-Classe Ouro; Medalha do Mérito Naval-Comendador; Medalha do Serviço Geográfico Brasileiro; Medalha do Mérito Guararapes; Medalha da Inconfidência; Grã-Cruz da Ordem do Mérito de Brasília; Grã-Cruz da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho; Grande Colar da Ordem do Congresso Nacional.

Recife, 31 de março de 2008.

(Atualizado em 14 de setembro de 2009).

 

FONTES CONSULTADAS:

 

BRASIL. Senado Federal. Biografia dos Senadores. Disponível em: <http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_biografia.asp?codparl=2147&li=46...>. Acesso em: 14 mar. 2008.

 

BRASIL. Senado Federal. Galeria de Presidentes do Período Pós-1964 (1964-1985). Disponível em: <http://www.senado.gov.br*sf/senadores/presidentes/p_pos_64_Nilo_C.>. Acesso em: 31 mar. 2008.

 

MARANHÃO, Jarbas ; ROCHA, Honório. Dois depoimentos sobre Nilo Coelho. Recife: Companhia Editora Nacional, [1983].

 

PERNAMBUCO de A/Z. Biografia. Disponível em: <http://www.pe-az.com.br/biografias/nilo_souza_coelho.htm>. Acesso em: 14 mar. 2008.

 

RIVAS, Leda. Nilo Coelho: breve roteiro de um visionário. Recife: A Assembléia, 2001. (Perfil parlamentar. Século XX, v.14).            

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. Nilo CoelhoPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/

>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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