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Raimundo Carrero

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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Raimundo Carrero de Barros Filho nasceu em Salgueiro, município do Sertão de Pernambuco (513 km do Recife), no dia 20 de dezembro de 1947.

Fez seu curso primário em Salgueiro e transferiu-se para o Recife, onde, em regime de internato, estudou no Colégio Salesiano por dois anos.

Descobriu a literatura através da biblioteca de um irmão mais velho, cujos livros ficavam embaixo dos balcões da loja de roupas e chapéus do seu pai, passando a ler José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Ibsen, Shakespeare.

         Antes de ser escritor, criou um conjunto musical denominado Os Cometas(1964). Quando se mudou para o Recife, na década de 1970, tornou-se músico profissional, tocando saxofone numa banda de rock chamada Os Tártaros.

         Começou a escrever utilizando papéis da loja do pai. Sua primeira novela,Grande mundo em 4 paredes, foi escrita entre 1968 e 1969 e, segundo ele, era “obra de menino”. Seu primeiro livro A história de Bernarda Soledade: a tigre do Sertão, publicado em 1975, foi escrito quando tinha 23 anos de idade e reeditado pela editora recifense Bagaço, em 2007.

         Trabalhou com Ariano Suassuna sobre o qual dá o seguinte depoimento, em entrevista concedida à Heloísa Buarque de Hollanda:

 

 

[...]  Tudo que se pode esperar de um grande orientador, de um grande mestre, tive de Ariano. Tenho até vergonha de lembrar, mas eu chegava na casa dele aos domingos, às vezes às nove da manhã, e saia às nove da noite, estudando literatura, conversando sobre autores. Ele ia buscar livros na estante, anotava meus textos. Era como ter uma universidade inteira aos meus pés [...].

 

 

 

Sua novela A dupla face do baralho: confissões do Comissário Félix Gurgel(1984) foi publicada pela Francisco Alves, através de um convênio com a Prefeitura do Recife, o que deu um grande impulso a sua carreira. Seu livroSomos pedras que se consomem (1995) foi incluído entre os dez melhores livros do ano, escolhidos pelo jornal O Globo  e entre as dez melhores obras de ficção de 1995, selecionadas pelo Jornal do Brasil, ambos do Rio de Janeiro (RJ).

Como jornalista profissional, atuou também no rádio e na televisão. Foi chefe de redação da Televisão Universitária de Pernambuco onde, entre outras atividades, apresentou o telejornal Conversa de Redação, além de ser redator doJornal Universitário, publicado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

De 1969 a 1991, trabalhou no jornal Diario de Pernambuco, onde exerceu diversos cargos e funções: repórter, redator de primeira página, chefe de reportagem, secretário de redação, além de crítico literário e editor nacional.

Integrou, durante oito anos, o Conselho Municipal de Cultura do Recife (nas gestões dos prefeitos Antônio Farias e Gustavo Krause), fez parte do Movimento de Cultura Popular e, de 1995 a 1997, foi presidente da Fundação de Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco (Fundarpe), no Governo Miguel Arraes, além de secretário-adjunto de Cultura, em 1998.

Raimundo Carrero afirma que o jornalismo foi sua grande escola. O jornal disciplina, organiza o trabalho de escrever. No jornal você se exibe, perde o medo. Sobre o trabalho literário de criação baseia-se na concepção de que a escrita é fruto mais da transpiração do que da inspiração, Não existe inspiração nem talento, mas trabalho, muito trabalho.

É autor também da peça Anticrime, encenada no Teatro do Parque pelo grupo de Otto Prado, e fez uma adaptação da novela A morte de Ivan Ilitch, de Tolstoi, representada no Teatro Barreto Júnior.

Considerado um dos maiores escritores de Pernambuco, conhecido nacional e internacionalmente, Raimundo Carrero é detentor de diversos prêmios literários: Revelação do Ano, Prêmio Oswald de Andrade, no Rio Grande do Sul, com Viagem no ventre da baleia; Prêmio José Condé, concedido pelo Governo de Pernambuco, pelo livro Sombra severa; Prêmio Lucilo Varejão, da Prefeitura do Recife, com O senhor dos sonhos; Melhor Romancista do Ano, da Associção Paulista de Críticos de Arte (1995) e Prêmio Machado de Assis (melhor romance), da Biblioteca Nacional, ambos pelo livro Somos pedras que se consomem (1995); e o  Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, São Paulo, com As sombrias ruínas da alma  (2000).

Membro da Academia Pernambucana de Letras, ocupando a Cadeira n. 3, desde dia 20 de janeiro de 2005, e da Academia de Artes e Letras de Pernambuco (Cadeira n. 6), tem diversas obras publicadas, entre as quais podem ser destacadas:

 

·          A história de Bernarda Soledade: a tiigre do Sertão (1975, reeditado em 2007);

·         As sementes do sol: o semeador (1981);

·         A dupla face do baralho: confissões do Comissário Félix Gurgel (1984);

·         Sombra severa (1986);

·         Viagem no ventre da baleia (1986);

·         O senhor dos sonhos (1987);

·         Maçã agreste (1989);

·         Sinfonia para vagabundos (1992);

·         Extremos do arco-íris (1992);

·         Somos pedras que se consomem (1995);

·         As sombrias ruínas da alma (1999);

·         Sombra severa (2001);

·         Orlando Parahym: o arco e o escudo (2001);

·         Ao redor do escorpião.. uma tarântula? (2003);

·         Os extremos do arco-íris (2004);

·         O delicado abismo da loucura (2005);

·         Os segredos da ficção: a arte de escrever (2005);

·         O amor não tem bons sentimentos (2007);

·         Contos de Oficina nº 4 (2007).

 

Uma parte da sua obra foi adotada para o vestibular da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e da Universidade de Pernambuco (UPE).

 

Há mais de quinze anos criou e orienta oficinas literárias uma das quais na União Brasileira de Escritores, Secção de Pernambuco e na Livraria Domenico, além de participar das diversas Bienais do Livro realizadas no Brasil e da Festa Literária Internacional de Paraty, no  Rio de Janeiro.

 

Recife, 29 de julho de 2008.

(Atualizado em 31 de agosto de 2009).

 

FONTES CONSULTADAS:

BASÍLIO, Astier. Raimundo Carrero. Disponível em: . Acesso em: 3 jul. 2008.

BIOGRAFIA: Raimundo Carrero. Disponível em: <http://www.pe-az.com.br/biografias/raimundo_carrero.htm>. Acesso em: 9 abr. 2008.

DADOS biográficos do autor. In: CARRERO, Raimundo. Orlando Parahym. Recife: Assembléia Legislativa de Pernambuco, 2001. p. 181-182.

RAIMUNDO  Carrero. Disponível em. Acesso em: 7 jul. 2008.

__________. Disponível em: . Acesso em: 4 jul. 2008.

REVISTA INDIOSINCRASIA.  Entrevista de Raimundo Carrero por Heloisa Buarque de Hollanda, em 22 4.2004. Disponível em: http://portalliteral.terra.com.br/Literal/calandra.nsf/0/BE5E7180C429D
81803256F1700804C8C?OpenDocument&pub=t&proj=literal&sec=Diálogos
. Acesso em: 4 jul. 2008.

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: GASPAR, Lúcia. Raimundo Carrero. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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