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Dom Vital

Maria do Carmo Andrade

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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         Vital Maria Gonçalves de Oliveira, bispo capuchinho brasileiro, nasceu em 27 de novembro de 1844, no Engenho Aurora, Pedras de Fogo, freguesia de Itambé, Pernambuco, divisa com a Paraíba.

 

         Filho do Capitão Antonio Gonçalves de Oliveira e de D. Antônia Albina de Albuquerque, D.Vital iniciou seus estudos sob a direção do Padre Antonio Generoso Bandeira, na Escola Pública de Itambé. Em seguida, mudou-se  para o Recife, onde estudou no Colégio Benfica, que era dirigido por sacerdotes.

 

         Foi aluno destaque e logo conquistou a estima dos mestres e colegas. Entrou para o Seminário de Olinda e recebeu a tonsura (cerimônia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordenado ao conferir-lhe o primeiro grau do clericato) das mãos de D. João da Purificação, em 1861, merecendo a distinção de ir estudar Teologia no Seminário de Issy, em Paris, onde ficou até 1863, quando entrou para o Convento dos Capuchinhos, em Versailles.

 

         Em 1868, concluiu seus estudos sacerdotais em Toulouse, na França. Retornado ao Brasil, ensinou Filosofia no Seminário Maior de São Paulo.

 

         Em 1871, D. Vital foi escolhido pelo Imperador D. Pedro II para ser o bispo de Olinda. Em maio de 1872, com apenas 27 anos, D. Vital assumiu a sua Diocese, sendo recebido com solenidade e tomando posse de seu cargo na Igreja do Espírito Santo. Logo iniciou campanha contra a Maçonaria, o que originou a chamada Questão Religiosa.

 

         Nessa época, a Maçonaria era proibida pelo Papa aos católicos. Todavia, no Brasil, a Maçonaria atuava normalmente e era seguida pela maioria das personalidades do Império e até havia prestado relevantes serviços no processo de independência do Brasil.

 

         D.Vital encontrou na Diocese muitos padres maçons e confrarias governadas por maçons, em cujas mãos estavam as chaves das igrejas e até as do sacrário. O próprio Primeiro Ministro, da época, o Visconde de Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos) era Grão- Mestre da Maçonaria. Por ocasião das comemorações da Lei do Ventre Livre,  a Maçonaria organizou , no dia 2 de março de 1872, uma festa que foi prestigiada por grande número de pessoas.

 

         Falaram diversos oradores e entre eles o Padre Almeida Martins, que fez um discurso em perfeito estilo maçônico, publicado nos jornais e divulgado pelo Brasil, causando um grande escândalo. Em decorrência desses acontecimentos o Padre Almeida foi punido pelo Bispo do Rio de Janeiro, D. Pedro Maria de Lacerda, com a suspensão das suas funções eclesiásticas.

 

         Por este ato, as Lojas maçônicas declararam-se ofendidas e a 16 de abril do mesmo ano, realizaram uma assembléia geral para tomar resoluções sobre o caso. O próprio chefe do governo dirigiu a assembléia e propôs:

 

  1. Iniciar pela imprensa uma campanha contra os bispos e a igreja.
  2. Convidar todos os maçons dissidentes e se unirem.
  3. Recolher fundos para as despesas da luta.

 

         Fundaram-se novos jornais, órgãos declarados da maçonaria. Os principais foram: A Família, no Rio de Janeiro; Correio Paulistano, em São Paulo;O Maçom, no Rio Grande do Sul; O Pelicano, no Pará; A Fraternidade, no Ceará;A Labarum, em Alagoas; A Família Universal e a Verdade, no Recife.

 

         O governo e depois o Barão de Penedo, acusaram D. Vital de ter perturbado o Brasil. Mesmo antes da chegada de D. Vital ao Recife, a imprensa procurou semear desconfiança contra o novo bispo, chamando-o de homem perigoso e frade de espírito inquisitorial.

 

         D. Vital iniciou, com apoio do bispo D. Antonio Macedo Costa, campanha contra a maçonaria, impondo restrições às confrarias, cujos membros foram convidados a abandonar a maçonaria, ficando suspensos os que não o fizessem.

 

         As Irmandades suspensas por D. Vital, apelaram para a Corte. O bispo foi interpelado mas negou-se a explicar ao Ministro Visconde do Rio Branco a razão de seus atos, que considerava de exclusivo domínio da hierarquia da Igreja.

 

         Entre os padres, havia alguns menos cumpridores de seus deveres, sobressaindo-se o popular padre Joaquim Francisco de Faria, de Olinda, que depois de advertido, foi suspenso, o que motivou cenas de vandalismo por parte de seus amigos e de arruaceiros, encabeçadas por figuras notáveis do partido liberal.

 

         No dia 14 de maio de 1873, a Igreja dos Jesuítas foi invadida e depredada, ferindo dezenas de fiéis que assistiam às cerimônias.

 

         Em 12 de abril do mesmo ano, D. Vital foi intimidado para suspender as proibições feitas, mas o bispo não recuou, continuando no cumprimento do seu dever. D. Pedro II se encolerizou com a resistência e convocou o Conselho de Estado. Dos 11 membros do Conselho, só o Visconde de Abaeté protestou contra as violências que estavam sendo praticadas contra os bispos.

 

         Em todo o País, os verdadeiros católicos despertavam à voz de protesto de Zacarias de Góis, de Antonio Ferreira Viana, do jurista Cândido Mendes, de Silveira Lobo, de Figueira de Melo, de Tarquínio de Souza e de dezenas de outras figuras marcantes.

 

         Pela oposição aos bispos, além dos maçons militares chefiados pelo Visconde, colocavam-se Rui Barbosa, Franklin Távora, Saldanha Marinho,Joaquim Nabuco e outros.

 

         Os bispos D. Vital e D. Macedo foram presos e condenados implacavelmente a quatro anos de prisão e trabalhos froçados, a mando do Imperador, que ainda enviou um emissário a Roma, o Barão de Penedo, com a finalidade de conseguir do Papa Pio IX uma condenação para os bispos.

 

         Centenas de milhares de assinaturas de protesto chegaram às mãos do governo. O Imperador teve dificuldades de encontrar um chefe de gabinete capaz de superar a crise e teve de ir bater à porta do Duque de  Caxias, que só aceitou o cargo com a condição de que os bispos fossem anistiados.

 

         Finalmente, através do DecretO 5.993, de 17 de setembro de 1875, foi decretada a anistia.

 

         Ao ser libertado da prisão, D. Vital viajou para Roma com a finalidade de esclarecer sua posição perante o Papa, uma vez que o Barão de Penedo e o Barão de Araguaia tinham deturpado a verdade.

 

         O Papa ouviu o bispo e lamentou pelas informações falhas que havia recebido do governo brasileiro. Na carta papal ao episcopado brasileiro, datada de 29 de abril de 1876, Pio IX define seu verdadeiro pensamento dando plena razão aos bispos perseguidos.

 

         D. Vital, doente e exausto, solicitou sua exoneração do cargo, mas não foi atendido, nem por Pio IX e nem por seu sucessor Leão XIII. Dessa forma, em outubro de 1876, voltou à sua Diocese, onde foi recebido com manifestações de boas-vindas.

 

         Continuou seu trabalho restaurador, concluindo a obra interrompida em decorrência das questões religiosas. Porém, seu estado de saúde agravou-se e ele teve de voltar à Europa, onde morreu no dia 4 de julho de 1878, com 33 anos de idade. D. Frei Vital é considerado mártir da fé e defensor dos direitos da Igreja Católica.

 

         Depois de três anos, os restos mortais de D. Vital foram transferidos para o Brasil e sepultados, solenemente, na Basílica da Penha, no Recife. 

 

         

                                 

Recife, 3 de agosto de 2005.

(Atualizado em 9 de setembro de 2009).

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

OLÍVOLA, Frei Félix de. Um grande brasileiro a serviço de Deus: D.Frei Maria Gonçalves de Oliveira. 4.ed. Recife: Imprensa Universitária, 1967.

 

SILVA, Jorge Fernandes da. Vidas que não morrem. Recife: Departamento de Cultura, 1982. 

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. Dom VitalPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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