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Guarany (Francisco Biquiba dy Lafuente)

 

 

Francisco Biquiba Dy Lafuente Guarany nasceu no dia 2 de abril de 1884, filho de Cornélio Biquiba Dy Lafuente e Marcelina do Espírito Santo. É bisneto de José Dy Lafuente, ex-jesuita espanhol, refugiado do Convento da Bahia que amasiou-se com uma negra africana de Moçambique, indo morar na cidade de Curacá, às margens do São Francisco, próximo à cidade de Juazeiro, onde passou a trabalhar como professor e constituiu sua família.

 

Guarany apresentava nos traços fisionômicos e na cor a mistura das raças, que formaram o povo brasileiro. Era magro, de pele morena e estatura baixa. Aprendeu a ler e escrever com padres. Apesar de pouco estudo, era capaz de proferir discursos públicos, entrevistas em redes de televisão e palestras em universidades sobre seus trabalhos. E sobre o rio São Francisco, narrava suas histórias e suas lendas, que foram fonte de inspiração para o seu sucesso como artesão.

 

Começou a trabalhar com imagens talhadas em madeira aos l5 anos, logo após a morte de seu pai, e aos 17 anos fez sua primeira figura de proa, que foi um busto de negro.

 

Até o ano de 1940, quando finalizou o ciclo das barcas, ele já havia produzido cerca de oitenta carrancas. A partir desta data ele parou de esculpir figuras de proa e passou a fazer peças utilitárias e decorativas. Trabalhou também como carpinteiro, marceneiro e tanoeiro.

 

Segundo os críticos da arte, suas obras são de grande valor artístico e originalidade e o elemento plástico mais expressivo e identificador de suas esculturas são as vastas cabeleiras das carrancas, que ora apresentam-se espessas, ora em relevo acentuado.

 

Guarany, como todos os artistas, sofreu grande influência cultural regional e estrangeira. Essas mudanças são vistas a partir de suas obras que, dependendo da época em que foram produzidas possuem aspectos diferenciados. Umas com maior potencial artístico e outras com menos vigor. Mas todas concentradas nos aspectos sociocultural e mitológico da região do Médio São Francisco.

 

Segundo a opinião dos críticos essas mudanças são naturais e necessárias ao artista, uma vez que, por natureza, ele possui o dom da liberdade de imaginação, expressão e criação.

 

Recife, 22 de julho de 2003.

(Atualizado em 28 de agosto de 2009).

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

PARDAL, Paulo. Carrancas do São Francisco. Rio de Janeiro: Funarte, 1979. 32 p.

VALLADARES, Clarival do Prado; PARDAL, Paulo. Guarany: 80 anos de carrancas. Rio de Janeiro: Barlendis, 1981. 90 p.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: MACHADO, Regina Coeli Vieira. Guarany (Francisco Biquiba dy Lafuente). Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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