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Herculano Bandeira de Melo

Virgínia Barbosa

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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        O político pernambucano Herculano Bandeira de Mello, filho do coronel Herculano Bandeira de Mello e de D. Ana Joaquina Cavalcanti Bandeira de Mello, nasceu no engenho Tamataupe, na cidade de Nazaré da Mata, aos 23 dias do mês de março de 1850. Herculano Bandeira ficou órfão de pai nos primeiros anos de sua infância. Sua mãe, que ficara responsável por sua educação escolar, o encaminhou para fazer o curso preparatório em colégio do Recife, concluído em 1866, aos 16 anos.

 

         Em 1870, terminou o Curso de Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife e, logo após, ingressou para a vida política: foi vereador de Nazaré da Mata (1872-1881), deputado provincial (1876-1887), juiz substituto da comarca Nazaré da Mata (1888), nomeado por Rosa e Silva, fez parte da constituinte republicana (1891), senador estadual (1895), deputado federal por três mandatos (1895-1902), senador (1901-1908) e governador de Pernambuco (1908-1911).

 

         Herculano Bandeira foi o 15º governador de Pernambuco após a Proclamação da República. Pode-se dizer que a transição do Império para a República trouxe instabilidade a nível nacional e estadual porque, a partir de então, houve a necessidade natural de modificar as estruturas jurídicas do País e das províncias para transformar a Monarquia em República, o que só foi legalmente consolidado com a promulgação da Constituição de 24 de fevereiro de 1891. Assim, os governadores de Pernambuco do período de 1889 a 1890 exerceram suas atividades por períodos curtos e a situação só se normalizou após a promulgação da Constituição estadual de 17 de junho de 1891. Esta Constituição alterou as funções administrativas mas, ao contrário do que se esperava, não trouxe modificações relevantes nas relações econômicas e políticas. Politicamente, inclusive, tais modificações davam maior poder à oligarquia local que, por indicar e eleger o governador, cobrava dele favores e concessões.

 

         Todo o contexto político e administrativo dessa época, em Pernambuco, teve continuidade por um longo tempo e permitiu, inclusive, a estabilidade de uma oligarquia, chefiada pelo conselheiro Rosa e Silva que montou um esquema de dominação em Pernambuco por quinze anos (1896 a 1911), o que lhe custou uma forte oposição desde os tempos de Barbosa Lima. Foi Rosa e Silva quem patrocinou a sucessão de Herculano Bandeira de Mello, quarto governador rosista (seguidores de Rosa e Silva), ao governo de Pernambuco, após o Dr. Sigismundo Gonçalves (1904-1908).

 

         Herculano Bandeira tomou posse em 1908. Entretanto, em 1910, com a vitória do Marechal Hermes da Fonseca como presidente da República (1910-1914), a oposição pernambucana escolheu o General Dantas Barreto para concorrer ao cargo de governador do Estado. O conselheiro Rosa e Silva lançou o seu nome contra o do General. Herculano Bandeira renunciou para facilitar a candidatura de Rosa e Silva e a direção do governo ficou temporariamente com o Dr. Estácio Coimbra, presidente da Assembléia. Houve eleições em 5 de novembro de 1911, cuja vitória foi dada ao Conselheiro Rosa e Silva. Entretanto, existiu uma intervenção militar visando fraudar o resultado das eleições para colocar Dantas Barreto no poder. Estácio Coimbra retira-se para Tamandaré e o comando do governo é assumido pelo Padre João da Costa Bezerra Carvalho, que reuniu a Assembléia para a verificação dos votos. Na "recontagem" dos votos houve pressão militar, os deputados rosistas não puderam comparecer e deu-se a vitória ao General Dantas Barreto.

 

         Diante do ocorrido, Herculano Bandeira sai da vida política, recolhe-se à vida privada, falecendo quatro anos depois, no Recife, no dia 19 de março de 1916.

 

         Apesar da gestão de Herculano Bandeira ter sido muito tumultuada sua preocupação em modernizar o Recife é reconhecida. Junto com o engenheiro Francisco Saturnino Rodrigues de Brito planejou e implantou uma nova rede de esgotos e construiu avenidas que facilitavam o escoamento das mercadorias advindas do Porto do Recife, que teve sua ampliação garantida através de contrato assinado durante a sua administração. Sua preocupação modernizadora seria continuada por seus sucessores apesar dos partidarismos que marcaram essas gestões.

 

                                                                              

Recife, 31 de outubro de 2006.

(Atualizado em 14 de setembro de 2009).

 

FONTES CONSULTADAS:

 

ANDRADE, Manuel Correia de. Uma forte oposição aos rosistas. Pernambuco Imortal: o império sofre e agoniza. Recife: Jornal do Commercio, 1995. fascículo 9. p. 11-12.

HERCULANO Bandeira de Mello. Almanach de Pernambuco, Recife, ano 11, p. 1-3, 1909.

HERCULANO Bandeira de Mello. Disponível em: <http://www.pe.gov.br/governo_galeria_herculano_bandeira.htm>. Acesso em: 2 out. 2006.

 

HERCULANO Bandeira de Mello. Disponível em:<http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_biografia.asp?codparl=1740&li=25&lcab=1900-1902&ll=25>. Acesso em: 2 out. 2006.

 

HERCULANO Bandeira de Mello. Disponível em:http://alepe.pe.gov.br/perfil/links/HerculanoBandeira.html>. Acesso em: 2 out. 2006.

 

SILVA, Jorge Fernandes da. Herculano Bandeira de Mello. In: ______. Vidas que não morrem. Recife: Departamento de Cultura do Estado, 1982. p. 229-231.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: BARBOSA, Virgínia. Herculano Bandeira de MelloPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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