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Lula Cardoso Ayres

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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Lula Cardoso Ayres nasceu no Recife, no dia 26 de setembro de 1910, filho de João e Carolina Cardoso Ayres. Seu pai era usineiro e foi um dos donos da usina Cucaú, em Pernambuco.

 

Morou na infância em um sobrado à beira do rio Capibaribe, no bairro da Madalena.

 

Começou a estudar desenho e pintura ainda muito jovem, aos doze anos, com o arquiteto, escultor, decorador, pintor e vitralista alemão Heinrich Moser (1886-1947), membro da Academia de Belas Artes de Munique, na Baviera, que morava no Recife.


Sobre a importância do seu aprendizado com o artista alemão, Lula afirmou:

 

"Considero muito importante tudo que aprendi, não como aluno, mas como ajudante do mestre Moser. Ele nos ensinava desde como se deve lavar um pincel, principal instrumento de trabalho do pintor,  até as técnicas de pintura. Dizia-me sempre não entender um pintor de uma só técnica – o óleo, a aquarela, o guache ou o bico de pena. Mandava-nos fazer tudo, até pintar em vidro, retocar vitrais que então fazia. Esse meu período junto a Moser foi de 1922 até fins de 1924." 

 

Foi Moser quem o encarregou de compor os primeiros painéis que pintou para um carnaval do Clube Internacional do Recife.

 

Em 1925, foi para Paris onde teve seu primeiro contato com a arte moderna. Visitou a 1ª Exposição Internacional de Arte Decorativa, freqüentou ateliês de alguns pintores, como Maurice Denis e percorreu vários museus, tomando contato com os movimentos mais atualizados da Europa.


Voltou ao Brasil, em 1930, indo residir no Rio de Janeiro. Seu pai havia se mudado para o Rio por ter adquirido uma refinaria naquele município, além da Companhia União dos Refinadores, com outros sócios, em São Paulo.

 

Nessa época, começou a se interessar por cenários para teatro, trabalhando principalmente para Procópio Ferreira, que lhe dava carta branca para criar e foi seu grande incentivador.


Lula morou no Rio de 1930 até o final de 1932, período em que estudou pintura em cursos livres da Escola Nacional de Belas Artes e onde conheceu Cândido Portinari, de quem passou a ser amigo íntimo.


Estudou também com o pintor Carlos Chambelland, com quem aprendeu a desenhar modelos de gesso.


Com o recrudescimento da crise do açúcar, no final de 1932, voltou ao Recife a pedido do pai, para que o ajudasse no trabalho com a usina. Lula, porém, não conseguiu se interessar pelo trabalho. Passou a pesquisar a realidade regional Se dedicou também à documentação fotográfica, pesquisando tipos, cenas, costumes e atitudes, associando a fotografia ao seu trabalho de desenho e pintura.


Participou da exposição de pintura do Congresso Afro Brasileiro, realizado no Recife (1934), organizado por Gilberto Freyre e Ulysses Pernambucano, ficando, desde então, muito ligado ao mestre de Apipucos.


Sobre essa influência Lula diz: “Realmente a obra dele, [Gilberto Freyre] naquele tempo, abriu-me uma porta que ainda estava fechada, chamando a atenção para as coisas que estavam mais perto da gente. Para o conteúdo social...Fotografava e depois desenhava de cor, vários tipos nordestinos. Realizou uma pesquisa de campo, fotografando índios e índias da tribo Fulni-ô, do município de Águas Belas, em Pernambuco. Pintou também séries sobre bonecos de barro, bumba-meu-boi, figuras do maracatu, bichos e assombrações, entre outras.


Sua primeira exposição foi realizada na década de 1940, iniciando-se no Recife e indo depois para São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades do país. Participou de várias outras exposições individuais no Brasil e no exterior, inclusive, das três primeiras Bienais de São Paulo.


Executou cerca de cem painéis e murais em diversas cidades brasileiras, entre as quais Recife, Salvador, Santos, São Paulo e Natal.


Seus quadros fazem parte do acervo de alguns museus brasileiros e de coleções particulares da Europa, América do Norte e América do Sul.


Para Gilberto Freyre, “O que ele desejava era impregnar-se de povo, de região, de tradição... Nenhum pintor brasileiro de qualquer época, dentre os maiores, que tenha sido ou seja ao mesmo tempo tão moderno e tão da sua terra; tão da sua gente; e, ainda, tão sobrecarregado do que há de misterioso, de irracional, de espiritual na vida, no passado, nos sofrimentos, nas alegrias, nas esperanças, nas ansiedades dessa sua gente”... 

Lula Cardoso Ayres morreu no Recife, no dia 29 de junho de 1987. 


 

 

Recife,  11 de maio de 2004.

Atualizado em 31 de agosto de 2009.
Atualizado em 17 de setembro de 2018.

 

 

 


FONTES CONSULTADAS:


 


FREYRE, Gilberto. A síntese Lula Cardoso Ayres: arte, região, tempo [Introdução]. In: LULA Cardoso Ayres. São Paulo: Museu de Arte de São Paulo, 1960. Não paginado.


LULA cardoso Ayres [Foto neste texto]. Disponível em: <https://www.guiadasartes.com.br/lula-cardoso-ayres/biografia>. Acesso em 17 set. 2018.


PERNAMBUCANOS em Brasília: pintores, escultores, cerâmicas, jóias. Brasília, DF: PRONAV, LBA [1986?].

 

VALLADARES, Clarival do Prado. Lula Cardoso Ayres: revisão crítica e atualidade. 2,ed, Rio de Janeiro: Spala Editora, 1979.  200p.


 


 


COMO CITAR ESTE TEXTO:


 

 

Fonte: GASPAR, Lúcia. Lula Cardoso Ayres. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/> . Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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