Home
Arruda (Bairro, Recife)

Virginia Barbosa
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

 

 

         No início do século XX, o atual bairro do Arruda era conhecido como Estrada Nova e, até a chegada das primeiras maxambombas (pequenas locomotivas em que os maquinistas trabalhavam numa cabine sem coberta), era um lugar sem nenhum atrativo. As casas, em sua maioria, eram de palha e as ruas tortas e de nomes estranhos: Sete Pecados, Urubu, Patitas, Beco do Chamego, entre outros.

 

         Foi por causa das maxambombas e do progresso trazido por elas que o português Manuel Inácio de Arruda, o “seu Arruda”, instalou um quitanda na Estrada Nova, logo transformada em mercearia, para atender aos inúmeros fregueses. Tornou-se tão conhecido que o nome do antigo bairro mudou para o sobrenome do negociante português: Arruda.

 

À época, em volta da estação das maxambombas, localizada ao lado do atual estádio do Santa Cruz Futebol Clube, foi criada uma feira aos domingos e vários estabelecimentos comerciais surgiram.

 

Para o divertimento da população apareceram o Teatro do Melado, que apresentava dramas, fandangospastoris, e destes, os mais conhecidos eram os dos velhos Canela de AçoFuzarcaBaú e Pimenta; e muitos circos do tipo “tomara que não chova”, que traziam atrações como os palhaços de cara suja que faziam convites à população para o espetáculo, ora utilizando pernas de pau ora montados em jumentos.

 

O bairro também ficou muito conhecido pela preferência de seu povo pelo xangô (o lugar e o conjunto de cerimônias religiosas afro-brasileiras). Existiam muitos terreiros e os mais conhecidos eram o de Zefinha Guedes e o de Anselmo.

 

Entre as festas populares, o Carnaval e o Natal eram muito animados. Antecipando os festejos momescos, o bairro do Arruda já ficava em alvoroço a partir do mês de setembro por causa dos ensaios dos vários clubesblocos,troçascaboclinhosursos e maracatus. Tinha como blocos ou agremiações carnavalescas de destaque: Flor de LiraCamponesesO Bagaço é MeuEco da Mocidade e Cachorro Lambe Tudo. Na festa do Natal havia mamulengobumba-meu-boi, fandango e retreta de bandas musicais, além da tradicional queima da lapinha.

 

Quando, em 1922, as maxambombas foram substituídas pelo bonde elétrico, o bairro já possuía dois cinemas, o Guanabara e o Arruda, que foi incendiado quando da Revolução de 1930.

 

Da década de 1920 até a de 1960 o bairro, em franco desenvolvimento, teve uma grande concentração de casas comerciais, consultórios médicos e inúmeras modificações na estrutura social e na configuração do espaço urbano. Entretanto, a sua infra-estrutura urbana apresentava problemas comuns à maioria dos bairros recifenses no que diz respeito à necessidade de ruas asfaltadas e de saneamento.

 

O grande destaque do bairro é o Estádio José do Rego Maciel, do time Santa Cruz Futebol Clube, conhecido nacionalmente como “Mundão do Arruda”. Embora não tenha sido criado no bairro do Arruda (sua fundação data de 3 de fevereiro de 1914, no Pátio de Santa Cruz, bairro da Boa Vista), ali instalou-se, em 1937, e foi inaugurado em 4 de junho de 1972.

 

Em 2000, de acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do bairro do Arruda era de 13.434 habitantes.

 

Recife, 15 de setembro de 2006.

(Atualizado em 14 de setembro de 2009).

FONTES CONSULTADAS:

 

 

RABELO, Evandro. Arruda. Edição Extra, Recife, 11 ago. 1968. Recife, quem te viu, quem te vê, p. 10.

 

ARRUDA. Disponível em: <http://www.pe-az.com.br/bairros_recife/bairros_arruda.htm>. Acesso em: 26 ago. 2006.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: BARBOSA, Virgínia. Arruda, bairro, RecifePesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
Copyright © 2020 Fundação Joaquim Nabuco. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido pela Fundação Joaquim Nabuco