Home J
Anna Paes

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

 



Anna Gonsalves Paes de Azevedo nasceu, provavelmente, em 1617, filha dos portugueses Jerônimo Paes de Azevedo e Izabel Gonsalves Paes.

Seu pai era dono de um dos mais ricos e importantes engenhos da várzea do Capibaribe, que teve as seguintes denominações: Jerônimo Paes, Isabel Gonsalves, Dona Anna Paes, de Tourlon, Nassau, de With e, por fim, engenho Casa Forte.


Aos 18 anos, Anna ficou viúva do capitão Pedro Correia da Silva, que tomou parte na defesa do forte São Jorge e morreu em virtude de ferimentos que recebeu durante os combates.

Como dote matrimonial tinha herdado o engenho 
Casa Forte, fundado pelo seu avô Diogo Gonsalves.

Tinha um irmão, Antônio de Freitas, que morava na Bahia. Com a morte do seu pai, passou a administrar o engenho, fazendo-o com muita energia e determinação, competindo com homens e conseguindo mantê-lo entre os dez melhores de Pernambuco.

Era uma mulher bela, destemida e muito avançada para a sua época. Além do português, falava e escrevia latim e alemão.

Foi educada de acordo com os princípios e costumes portugueses e vivia com sua mãe entre o engenho Casa Forte e uma casa situada na Rua Bom Jesus.

Quando enviuvou, Anna Paes não emigrou para a Bahia como fizeram algumas famílias pernambucanas por causa da invasão holandesa, permanecendo no seu engenho.

Em 1637, casou-se com o capitão do exército holandês Carlos de Tourlon, com o qual teve uma filha Isabel de Tourlon, que se casaria em Pernambuco com um oficial da infantaria holandesa, Vigilio Gaspar de Kroyestein.

Não se sabe ao certo o motivo, mas Carlos de Tourlon foi mandado de volta para a Holanda por 
Maurício de Nassau, aonde veio a falecer.

Anna Paes casou-se então pela terceira vez, em 1645, depois de receber a confirmação da morte de Tourlon, com Gilberto de With, conselheiro de justiça do governo holandês.

Com Gilberto de With, Anna teve dois filhos, Kornelius e Elizabeth. Seus três filhos foram batizados na religião calvinista holandesa.

Por ser casada com um holandês, na época da expulsão dos batavos foi considerada holandesa também e teve todos os seus bens imóveis confiscados.

Em 1654, Anna Paes embarcou para a Holanda com o marido e os filhos.

Seu engenho Casa Forte, onde ocorreu no dia 17 de agosto de 1645 a
Batalha de Casa Forte, um importante combate entre pernambucanos e holandeses, foi colocado em leilão e arrematado em hasta pública.

Devido a sua maneira avançada para a época, suas atitudes em relação aos holandeses e sua conversão ao calvinismo, Anna Paes foi considerada por muitos historiadores como uma mulher amoral.

Anna Paes morreu no dia 21 de dezembro de 1674, em Dondrecht, na Holanda, onde morava com sua família.



Recife, 21 de outubro de 2004
.
Atualizado em 20 de agosto de 2009.




FONTES CONSULTADAS:



COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Anais pernambucanos. 2. ed. Recife: Fundarpe, 1983. v. 3-4. (Coleção pernambucana, 2a. fase).

VASCONCELLOS, Telma Bittencourt de. Dona Anna Paes. Recife: Edição do Autor, 2004. 208 p.




COMO CITAR ESTE TEXTO:



Fonte:
GASPAR, Lúcia. Anna Paes. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 
Copyright © 2019 Fundação Joaquim Nabuco. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido pela Fundação Joaquim Nabuco