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Amaro Quintas

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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Amaro Soares Quintas nasceu no Recife, no dia 22 de março de 1911, filho do Juiz de direito Gabriel Soares Quintas e de Laura Pacheco Quintas.

 

Historiador, advogado, professor e escritor, era um dos mais conceituados historiadores pernambucanos e um dos melhores professores de História dos colégios e universidades de Pernambuco.

 

Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, exerceu a advocacia no Recife, sendo agraciado com a medalha "José Paulo Cavalcanti" por ter completado 60 anos de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil-PE.

 

Além de advogado foi também professor catedrático de História do Ginásio Pernambucano e, posteriormente, seu Diretor. Fez parte, entre outros, do corpo docente da Faculdade de Filosofia do Recife (Fafire); do Colégio Israelita; da Escola Oswaldo Cruz; da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Faculdade de Filosofia de Campina Grande, na Paraíba.

 

Nunca foi um político profissional ou candidato a cargos eletivos, mas tinha uma posição política declarada. Posicionou-se contra a ditadura Vargas (1937/1945), sendo por isso perseguido.

 

Quando a União Democrática Nacional (UDN) foi organizada como um partido de oposição ao Estado Novo, em 1944, Amaro Quintas tornou-se militante da Esquerda Democrática, presidida no Recife por Gilberto Freyre. Ao separar-se da UDN, a Esquerda Democrática passou a ser um partido autônomo, incluindo no seu programa político o apoio ao divórcio. Por ser um católico praticante, Quintas não aceitou esse apoio, desligando-se então do partido. Apesar do seu desligamento partidário, no entanto, continuou a defender reivindicações da esquerda brasileira da época, como o monopólio estatal do petróleo, a reforma agrária, o combate ao acordo militar Brasil-Estados Unidos.

 

Foi eleito para a Academia Pernambucana de Letras, tomando posse no dia 26 de janeiro de 1962 e era sócio, entre outras instituições, do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano.

 

Colaborou com os jornais recifenses Diario de Pernambuco e Jornal do Commercio, onde escreveu diversos artigos sobre história e política.

 

Em 1964, com o início da ditadura militar e a criação do Ato Institucional, nº 5 (AI-5), foi cassado por ter feito uma conferência no Teatro Santa Isabel sobre o tema A livre determinação dos povos, incluindo no texto o assunto da livre escolha do regime político, o que provocou o descontentamento dos militares. Não chegou a ser preso porque foi auxiliado e escondido por seu grande amigo Gilberto Freyre.

 

Foi o primeiro diretor do Departamento de História Social do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, atual Fundação Joaquim Nabuco, cargo que exerceu até 1964, quando foi cassado.

 

Especialista nos movimentos libertários de Pernambuco, Amaro Quintas é autor de vários livros de História, especialmente sobre a Revolução Praieira, um dos assuntos mais estudados por ele.

 

Escreveu, entre outras, as seguintes obras: A gênese do espírito republicano em Pernambuco e a Revolução de 1817 (1939), escrita como tese de concurso para professor catedrático do Ginásio Pernambucano, concurso a que concorreram também Álvaro Lins e Nilo Pereira; O Padre Lopes Gama: político (1958), onde estuda a obra do padre Carapuceiro, que criticava a sociedade açucareira de Pernambuco; Capitalismo e cristianismo (1960), seu discurso de paraninfo para uma turma da Faculdade de Filosofia do Recife, onde procura explicar convergências e divergências entre o comunismo e o cristianismo; O sentido social da Revolução Praieira (1961), também apresentada como tese de concurso para o Ginásio Pernambucano.

 

Escreveu ainda, diversos ensaios: Considerações sobre a Revolução Praieira (1948);Notícias e anúncios de jornais (1953); Massificação e humanismo (1957); Pródomos da Guerra dos Mascates (1967); Pereira da Costa e a moderna historiografia (1967); O Recife e Luís do Rego (1978).  

 

Segundo o historiador Manoel Correia de Andrade, Amaro Quintas

 

[...] foi, a um só tempo, um grande professor e um historiador, muito dividido entre a história e a sociologia e profundamente comprometido, politicamente, com reformas na sociedade brasileira. Era um socialista reformista que queria direcionar a vida brasileira no sentido de reformas que liberalizassem a nossa        sociedade, embora mantivesse uma certa fidelidade ao passado, às tradições, sobretudo àquelas ligadas aos princípios básicos defendidos pela Igreja Católica.

Amaro Quintas morreu no Recife, no dia 20 de maio de 1998.

 

 

 

Recife, 26 de janeiro de 2006.

Atualizado em 20 de agosto de 2009.

 

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

 

 

AMARO Quintas. Disponível em: <http://www.pe-az.com.br/biografias/amaro_soares-quintas.htm>. Acesso em: 30 nov. 2005.

AMARO Quintas [Foto neste texto]. Disponível em <goo.gl/Z3VA73>. Acesso em: 15 mar. 2018.

 

FREYRE, Fernando de Mello(Org.). Amaro Quintas: 90 anos de liberdade e de história. Recife: Fundaj, Ed. Massangana, 2002. (Documentos, 59)

 

SAMPAIO, Wilson Vilar. Pernambucanos que não devem ser esquecidos: Amaro Soares Quintas. Disponível em: <goo.gl/m7ewfL>. Acesso em: 29 nov. 2005.

 

 

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

 

 

Fonte: GASPAR, Lúcia. Amaro Quintas. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 


 
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