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Jorge Amado

Regina Coeli Vieira Machado

Servidora da Fundação Joaquim Nabuco

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O escritor e romancista Jorge Amado, o primeiro dos quatro filhos do casal João Amado de Faria e Eulália Leal Amado de Faria, nasceu no município de Itabuna, Estado da Bahia, em 10 de agosto de 1912.

 

Aos seis anos, Jorge Amado iniciou o aprendizado das primeiras letras na Escola da professora Guilhermina. Desde a infância, ele já demonstrava gosto pela escrita, comprovado pela criação do seu primeiro jornalzinho A Luneta, que escrevia por diversão e distribuía entre a família e os vizinhos.

 

Aos onze, já dava mostras do seu talento como grande escritor, poeta e romancista através da redação O Mar e da poesia “Poema ou prosa”, publicada em 1927, pela revista A Luva.

 

Aos 17 anos, publicou em O Jornal a novela Lenita, escrita em parceria com Dias da Costa e Edison Carneiro e, aos 19, estréia na literatura brasileira com o livro País do Carnaval, com cerca de 1000 exemplares vendidos.

 

Na juventude, integrou a Academia dos Rebeldes, composta por escritores intelectuais como Alves Ribeiro, Edison Carneiro, Clovis Amorim, Guilherme Dias Gomes e outros, que pregavam “uma Arte Moderna sem ser modernista”, cujos trabalhos eram publicados nas revistas Meridiano eMovimento.

 

Foi casado duas vezes. Do primeiro relacionamento, com Matilde Garcia Rosa, nasceu sua primeira filha Eulália Dalila, que faleceu, em 1949, aos 14 anos, vítima de mal súbito. Do segundo casamento, com Zélia Gattai, com quem viveu até os últimos dias de sua vida, nasceram João Jorge e Paloma.

 

Como embaixador da ficção do romance social, foi a expressão mais alta da cultura brasileira a favor da inclusão dos excluídos sociais.

 

Seus livros têm a cara da realidade social brasileira. Retratam  não somente a memória, o sofrer  e as alegiras do povo brasileiro, mas também a beleza e a liberdade.

 

Em suas obras, ele assume uma postura de crítico social, que insufla, excita e induz o leitor a se posicionar contra as injustiças políticas e sociais e  a lutar pelos seus direitos de cidadão.

 

Esse tendencioso socialismo de esquerda foi o maior motivo para as intemperanças de sua vida como cidadão comum,  escritor e como político.

 

Talvez por ter nascido com um espírito árduo e combatente, que coincidiu com uma época de grandes confluências políticas e injustiças sociais, Jorge Amado adotou o perfil de homem renascentista, usou a escrita para combater as distorções políticas e sociais e, por isto, pagou muito caro. Sofreu muitos constrangimentos, prisão, confinamentos, exílios, apreensão e destruição de suas obras, que eram vistas como subversivas.

 

A primeira prisão foi em 1936, quando ele era ativista político e foi acusado de participar da Intentona Comunista, em Natal, no Rio Grande do Norte.

 

Daí por diante todo e qualquer movimento estudantil ou político que se instaurasse e fosse de encontro às decisões do governo, Jorge Amado estava sempre encabeçando a lista dos procurados.

 

Em 1945, foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista (PC) com cerca de 15.000 votos. Três anos depois seu mandato foi suspenso em virtude do cancelamento e cassação do PC e, mais uma vez, seus livros foram apreendidos.

 

Em 1961, foi eleito por unanimidade para ocupar a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras.

 

Foi aclamado com muitos títulos honoríficos e prêmios no Brasil e no exterior, entre os quais pode-se destacar o de Doutor Honoris Causa, das Universidades de Israel, da Dagli Studi, de Bari e de Pádua, na Itália; os prêmiosCino del  Duca, da Academia Francesa; Camões dos governos brasileiro e português; Vitaliano Brancatti Pablo Picasso, da Unesco e o Graça Aranha.

 

Jorge Amado com a magnitude de escritor e literato que foi sobressaiu-se pela multiplicidade de expressão. Nem mesmo os constrangimentos da época da ditadura militar contra sua pessoa, abafaram a sua imaginação criativa, o seu talento e nem o seu conceito sobre a realidade brasileira. Pelo contrário, estes eventos serviram como janelas e portas abertas para ativar sua produção.

 

Seguindo a cronologia de suas obras, existem cerca de 40 romances, novelas, poesias, poemas, relatos biografias, artigos de jornais e revistas, documentários e outros escritos. Algumas dessas obras foram traduzidas em 48 idiomas. E entre estas, a mais polêmica foi Capitães da Areia e as de maior sucesso de público e de vendas Gabriela Cravo e CanelaDona Flor e seus dois maridos e Tieta do Agreste, que ganharam forma nas telas de televisão e de cinemas nacionais e estrangeiros.

 

Aos 80 anos sua saúde já se encontrava muito debilitada. Em decorrência do estágio avançado da diabetes sofrera várias internações por insuficiência cardiovascular.

 

No dia 6 de agosto de 2001, faltando quatro dias para completar 89 anos  o embaixador da literatura brasileira faleceu em Salvador.

“....a verdadeira  pornografia, a  legítima  obscenidade é a maldade do homem contra  o homem, a violência, a guerra, o genocídio.Jorge Amado.

 

Recife, 28 de julho de 2004.

Atualizado em 18 de agosto de 2009.

Atualizado em 23 de agosto de 2017. 

 

 

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

 

 

CADERNOS de Literatura Brasileira: Jorge Amado. São Paulo: IMS, 1997. 164 p.



JORGE Amado [Foto neste texto]. Disponível em: <http://blog.estantevirtual.com.br/2016/08/08/8-livros-essenciais-de-jorge-amado/>. Acesso em: 23 ago. 2017.

 

 
TAVARES, Paulo. O baiano Jorge Amado e sua obra. Rio de Janeiro: Record, 1980. 196 p.

 

 

 

                                 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

 

 

Fonte: MACHADO, Regina Coeli Vieira. Jorge Amado. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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