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Seringueiros

 

Maria do Carmo Andrade

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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Seringueiro é o personagem típico da região dos seringais.  É aquele que extrai o látex das seringueiras e viabiliza sua transformação em borracha natural. Seringalista é o proprietário do seringal.

 

A seringueira é uma planta brasileira (hevea brasiliensis) da família das euforbiáceas, originária da Amazônia. É uma árvore que atinge 50m de altura e de cujo caule, através de incisões oblíquas na casca, escorre um látex com que se produz borracha de primeira qualidade. Suas sementes contêm uma amêndoa donde se extrai um óleo amarelado, utilizado na indústria de vernizes e tintas.

 

A floresta amazônica é muito rica em seringueiras e garante ao Acre o primeiro lugar nacional na produção de borracha.

 

Embora seja uma planta nativa de climas tropicais úmidos a seringueira é cultivada em diversos estados do Brasil (Bahia, Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais e outros), pois, além de rústica, apresenta grande capacidade de adaptação.

 

Os seringueiros têm uma história de luta, com realização de atos de protesto contra a política para a borracha nativa, contra a fome e contra a devastação da floresta amazônica.

 

Os trabalhadores dos seringais foram responsáveis por muitas manifestações políticas em vários municípios do Acre. Eles queriam conseguir do governo federal não apenas o reconhecimento oficial das reservas extrativas, mas também que as condições para execução desse trabalho fossem definidas e caracterizadas.

 

Os seringueiros e suas entidades de apoio utilizam o termo “empate”, como símbolo de suas resistências, de suas lutas e de suas reivindicações.

 

Os seringueiros que realizaram os primeiros “empates”, na região acreana, não imaginavam que suas experiências de resistência chegassem a proporções que chegaram.

 

Para Chico Mendes, sindicalista de Xapurí, assassinado em 1988, a prática do “empate” teve início em 1976.

 

Chico Mendes viveu essa experiência à frente das motosserras de fazendeiros, tentando evitar, juntamente com seringueiros, o desmate de áreas de seringais na região de Xapurí.

 

Mas, nem só de luta e trabalho vivem os seringueiros. Eles são, em sua maioria, “apaixonados” por festas, por danças de forró. São bons dançarinos de ritmos originários do Nordeste. A festa de forró é uma tradição que remonta aos primeiros tempos de ocupação do Acre pelos nordestinos.

 

A família para o seringueiro significa ter com quem dividir o cotidiano de um seringal que é de trabalho, mas também de lazer e solidariedade. É na família que os filhos de seringueiros aprendem o ofício (extração do látex). Os pais levam os filhos para as Estradas de Seringa, lugares em que as experiências com o trabalho são vivenciadas.

Recife, 11 de maio de 2004.

(Atualizado em 14 de setembro de 2009).

 

FONTES CONSULTADAS:

 

GRANDE Enciclopédia Larousse Cultural.[São Paulo]: Nova Cultural, 1998.

 

HOUAISS, Antônio (Dir.). Pequeno dicionário enciclopédico Koogan Larousse. Rio de Janeiro: Ed. Larousse do Brasil, 1979.

 

PEREIRA, José Veríssimo da Costa. Seringueiros. In: TIPOS e aspectos do Brasil. 10. ed. Rio de Janeiro: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE, 1975.

 

SOUZA, Carlos Alberto Alves de. Os “empates” como forma de resistência : modo de vida dos seringueiros da Amazônia Ocidental. Clio: Série História do Nordeste, Recife, v.1, n.18, p.37-51, 1998.

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. SeringueirosPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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