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Samuel Campelo

Virginia Barbosa
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Nascido de uma família de agricultores, Samuel Carneiro Rodrigues Campelo, filho de Diogo Carneiro Rodrigues Campelo e Leopoldina Amélia Carneiro Campelo, veio ao mundo aos 12 dias do mês de outubro de 1890, no engenho Arimunã, município de Escada, Estado de Pernambuco.

Estabeleceu-se no município de Jaboatão, Pernambuco, onde sua formação intelectual foi construída. Desde jovem demonstrou ter aptidões literárias, em especial para o jornalismo e o teatro, este último sua grande paixão. Aos 13 anos, já escrevia os primeiros artigos. Aos dezesseis apareceu pela primeira vez em público, como amador, no palco do Clube Esportivo de Socorro, no município de Jaboatão (atual Vila Militar), onde representou a comédia Bicho e seu Rancho, de Ernesto Paula Santos. A sua dedicação ao teatro amador estendeu-se por quase seis anos, representando em vários espaços culturais e contracenando com artistas em evidência do seu tempo.

Sua primeira peça foi a farsa em um ato Peripécias de um defunto, que teve o seu nome mudado para Engano da peste. Foi escrita em 1909 e sua estréia aconteceu em 24 de setembro de 1910, no grêmio dramático Arraialense, de Casa Amarela, no Recife, representado pela Troupe Dramática Familiar Arraialense. Também em 1910, escreveu e apresentou no grêmio dramático Espinheirense, a farsa em um ato O amor faz coisas. No período de 1903-1911, Samuel Campelo criou e participou de grêmios literários e teatrais, a exemplo dos Grêmios Jaboatonense Seis de Março (do qual foi primeiro secretário) e Frei Caneca (fundador), grêmio dramático Arraialense e grêmio dramático Espinheirense. Encerrou sua fase amadora representando um galã cínico da peça, tipo de sua predileção, no drama em cinco atos A escrava Andréa, em 13 de maio de 1911, na Polinia Dramática Areiense.       

Sua trajetória teatral é assim interrompida para fazer seus estudos para bacharel em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Recife, concluídos em 1912. Neste mesmo ano, ingressou no Ministério Público, no interior do Estado de Pernambuco, como promotor público de Vitória, cargo que exerceu por quase cinco anos e do qual foi demitido unicamente por questões políticas. Em 1916, advogou, junto com Célio Meira, em Jaboatão, Gravatá, Bezerros, Limoeiro. Nas localidades por onde passou, mesmo seguindo a profissão que abraçara, sempre se fazia presente nos movimentos literários. Três anos depois, veio morar definitivamente no Recife (1919), onde seu interesse pelo teatro e sua produção de peças foi crescente.

 

No jornalismo, Samuel Campelo manteve a revista literária Fanal por três anos (1903-1906), foi colaborador n’A Faísca (1907), n’O Proscênio (1910-1911) e no Jornal do Recife (1922), redator d’O Frevo (1908), onde utilizava o pseudônimo de Leumas, e do Diario de Pernambuco (1922), e diretor d’O Jaboatonense (1911) e do Parnaso (1911). Fundou o periódico A República(1911) e A Coluna, semanário literário (1916), tendo sido redator-secretário deA Rua (1922) e crítico de arte d’A Província (1922).

 

Do Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano, foi sócio efetivo (1916) e orador eleito sucessivamente de 1920-1927; membro efetivo da Academia Pernambucana de Letras, na cadeira de Francino Cismontano [pseudônimo de Francisco do Brasil Pinto Bandeira e Acioly de Vasconcelos]; secretário da Defesa da Borracha; secretário da Faculdade de Medicina do Recife; da Assistência a Psicopatas; delegado de polícia, escriturário do Tesouro do Estado de Pernambuco.

 

Há de se destacar também sua atuação quando Pernambuco viveu um conflito político por causa da candidatura do general Dantas Barreto em oposição ao candidato conselheiro Rosa e Silva para as eleições governamentais. Samuel Campelo apoiara o general Dantas Barreto e encarregou-se da propaganda dantista em Jaboatão, onde realizou o primeiro comício pró Dantas Barreto e do qual foi um dos oradores. Inclusive, em 12 de outubro de 1911, quando da chegada do general ao Recife, Samuel Campelo esteve presente e para ele escreveu e dedicou um soneto.

 

Depois da Revolução de 30, Samuel Campelo foi nomeado administrador do Teatro Santa Isabel. A década de 30, no Recife, é tida como palco pioneiro do teatro e a cidade maurícia como escola. Em 2 de agosto de 1931, Samuel formou o Grupo Gente Nossa que reuniu talentos da arte cênica como Elpídio Câmara, Luiz Maranhão, Lourdes Monteiro, Luiz de França, Amália de Sousa, Lenita Lopes, Vicente Cunha e Luiza Teixeira. O Grupo estreou com a peça A honra da tia, de autoria de Samuel Campelo, no Teatro Santa Isabel, e tornou-se a primeira companhia do Nordeste. Quatro anos depois, num editorial doJornal do Commercio, o Grupo foi muito elogiado e se reconheceu os efeitos benéficos do trabalho desenvolvido por Samuel. Inclusive, afirma o editorial, foi o Grupo Gente Nossa “que tornou acessível o ingresso do povo ao teatro Santa Isabel, anteriormente freqüentado unicamente pela sociedade rica e portentosa”.

 

Valdemar de Oliveira, amigo, admirador e seguidor do “bom teatro, do teatro limpo, digno” que Samuel Campelo defendeu e divulgou, assistiu a todo o seu empenho, juntamente com o Grupo Gente Nossa, de construir um teatro que ele chamaria de “Nosso Teatro”, nome que Valdemar de Oliveira preservou quando “construiu o Teatro para o Teatro de Amadores de Pernambuco” (TAP). Assim, não se pode falar sobre o Teatro de Amadores sem falar em Samuel Campelo. O TAP é “filho” do Grupo Gente Nossa, é a continuidade dos seus ensinamentos.

 

 

PRODUÇÃO TEATRAL:

 

 

A HONRA DA TIA

Comédia em três atos. Sua estréia foi no Teatro Moderno do Recife, pela Companhia Alda Garrido.

Serviu para a estréia do Grupo Gente Nossa.

 

 

29 de outubro de 1921.

2 de agosto de 1931.

NOITES DE NOVENA

Burleta (comédia ligeira) de costumes em três atos, foi encenada pelo grêmio familiar Madalense com música de Raul Morais.

 

 

Escrita em 1925, apenas em 1928 foi encenada.

AVES DE ARRIBAÇÃO

 e

A ROSA VERMELHA

Operetas em 3 atos com partitura de Valdemar de Oliveira, com estréia pela companhia Vicente Celestina: no teatro do Parque do Recife e

Teatro Santa Izabel.

 

 

 

9 de julho de 1926.

31 de janeiro de 1927.

SAE, CARTOLA

Revista em dois atos, música de Valdemar de Oliveira, encenada pela companhia Ari Nogueira, no Teatro do Parque.

 

 

21 de junho de 1927.

IH! HI!

Revista em um ato, música de Nelson Ferreira, representada pela companhia Otília Amorim pela primeira vez no teatro Helvética do Recife.

 

 

9 de agosto de 1927.

OS VIZINHOS JAZZ-BAND

Entreato cômico, escrito para uma festa de Maria e Ilídio Amorim.

 

 

1928.

VITREAUX

Revista em dois atos, em colaboração com Humberto Santiago, estreada em Belém do Pará pela companhia Nazaré.

 

 

setembro de 1928.

TERRA E MAR

Sainete (comédia curta) patriótico em três quadros, escrito especialmente para uma festa da Escola de Aprendizes Marinheiros do Recife.

 

 

11 de junho de 1930.

UMA SENHORA VIÚVA

Comédia em três atos, estréia no Teatro São José, do Rio de Janeiro, pela companhia Dulcina de Morais.

Depois musicada por João Valença para o grêmio familiar Madalense.

 

 

7 junho de 1930.

4 de maio de 1931.

RAPA CÔCO

Revista de crítica em dois atos, com música de João Valença e José Capibaribe. Estréia no Teatro Santa Izabel.

 

 

5 de dezembro de 1930.

VARIAÇÕES DO VERBO AMAR*

Comédia farsa em três atos, representado pelo Grupo Gente Nossa no Teatro Santa Isabel.

 

 

22 de novembro de 1931.

AGITE-SE

Comédia em três atos estreada pelo Grupo Gente Nossa, na festa do 55º aniversário da inauguração do atual edifício do Santa Izabel.

 

 

10 de dezembro de 1931.

O MISTÉRIO DO COFRE

Farsa policial em três atos, em colaboração com Valdemar de Oliveira e Eustórgiio Vanderlei. Estreada pelo Grupo Gente Nossa.

 

 

11 de agosto de 1933.

A MADRINHA DOS CADETES*

Opereta em três atos, partitura de Valdemar de Oliveira. Estréia pelo Grupo Gente Nossa.

 

 

16 de dezembro de 1933.

MULATO*

Alta comédia em três atos. Estréia pelo Grupo Gente Nossa. Drama social.

 

 

13 de maio de 1935.

É DO LORÉ

Revista em colaboração com Santos Carvalho e levada pela companhia portuguesa deste autor no Teatro Santa Isabel.

 

 

Sem informação de data.

COIÓ TRANSFORMISTA

Farsa em um ato.


TUDO ÀS AVESSAS

Revista em um prólogo, dois atos, duas apoteoses.

 

 

Idem.

TEM CASA E NÃO CASA

Comédia em três atos.

 

 

Idem.

MANGAS DO JASMIN

Entreato, levada no rádio.

 

S. O. S.

Última peça de Samuel Campelo. Alta comédia. Encenada pela companhia Renato Viana, no Ceará, obteve sucesso, mas no Recife ficou inédita. Crítica aos princípios totalitários

 

 

1938

escritos especialmente para o Grupo Gente Nossa.

 

 

A 10 de janeiro de 1939, faleceu Samuel Campelo, um marco da história do teatro de Pernambuco.

 

 

 

Recife, 30 de novembro de 2006.

Atualizado em 14 de setembro de 2009.
Atualizado em 06 de outubro de 2017.

 

 

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

 


MELO, Clóvis. Samuel Campelo. Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, Recife, v. 37, p. 281-294, jan. 1941/dez. 1942.


OLIVEIRA, Fernando de. Teatro de Amadores de Pernambuco. Disponível em: <www.tap.org.br/htm/historia/ggentenossa2.htm>. Acesso em: 24 nov. 2006.


SAMUEL Campelo (foto). Disponível em: <http://www.tap.org.br/htm/historia/Imagens/SAMUEL%20CAMPELO.jpg>. Acesso em: 25 nov. 2006.


SAMUEL Campelo. In: ALMANACH de Pernambuco, Recife, 1905. p. 113-115.


SAMUEL  Campelo 1889-1939. [S. l.]: Tip. Baptista de Souza, [19--].


SAMUEL Carneiro Rodrigues Campelo. Disponível em:<http://www.alepe.pe.gov.br/perfil/links/SamuelCampelo.html>.  Acesso em: 24 nov. 2006.

 

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 


Fonte: BARBOSA, Virgínia. Samuel Campelo. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

 

 

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