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Fernando Spencer

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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Fernando José Spencer Hartmann nasceu no Recife, no dia 17 de janeiro de 1927, num sobrado da Rua Augusta (hoje destruída), no bairro de São José, filho de Niconedes Brasil Hartmann e Maria Serafina Spencer Lopes Neto.

 

Seu pai, filho de um engenheiro alemão, Antônio Guilherme Hartmann, foi escrivão de polícia e colaborador de diversos jornais recifenses, entre os quais, o Jornal do Recife, A NoiteJornal Pequeno e o Diario de Pernambuco.

Estudou em diversos colégios, devido às constantes mudanças de residência da família. Morou no bairro de Afogados, no Recife, em Pau d'Alho e Carpina, municípios da zona da mata pernambucana e na Rua Visconde de Ouro Preto, em Casa Forte, próximo da Praça.

Terminou o primeiro grau na Escola Iracema da Costa Lima e fez o segundo grau nos colégios Salesiano e Padre Félix, antigo Ginásio do Recife.

Começou a trabalhar aos 17 anos, datilografando e desenhando letras góticas para abertura de livros, na Delegacia de Ordem Política e Social de Pernambuco. Trabalhou também no Cartório de Nascimento e Óbito de Casa Amarela e ainda como chefe de serviço de cadastro, na filial da empresa de eletrodomésticos, Arno S.A. Seu  objetivo, no entanto,  sempre foi escrever, entrar na carreira jornalística.

Foi colaborador de diversos jornais recifenses como o Jornal PequenoO Dia; Diario de Pernambuco, onde entre 1952 e 1953, e durante dez anos, tinha uma página infantil, sob o pseudônimo de Fernando Saldanha. Mais tarde, também utilizou o pseudônimo de Sérgio Nona, numa página sobre cinema, música e vídeo no Diario de Pernambuco. Colaborou ainda, escrevendo contos para os suplementos literários do Jornal do Commercio e do Diario de Pernambuco, assinando em ambos seu nome completo Fernando Spencer Hartmann.

O interesse pelo cinema foi influenciado pelo pai. Aos treze anos, recebeu de presente um projetor de brinquedo que passava filmes de 35mm e foi usado para que ele construísse [...] um cineminha para umas vinte pessoas no fundo do quintal, o Cine Metro[...].

No final da década de 1940 e 1950 freqüentou o Cine Ellite, um cinema que existia em Casa Forte, próximo da sua casa. Tornou-se amigo do porteiro, a quem ajudava a limpar a sala e onde pôde assistir dezenas de musicais e faroestes.   

Além de jornalista, revisor e editor de cinema do Diario de Pernambuco, onde trabalhou durante quarenta anos (1958-1998), Spencer também teve experiências em rádios. Na década de 1960, fez os programas Filmelândia, na Rádio Clube de Pernambuco, na Rádio Tamandaré e Falando de Cinema, na TV Rádio Clube de Pernambuco. Ambos os programas duraram onze anos ininterruptos.

Em 1980, assumiu a coordenação da Cinemateca da Fundação Joaquim Nabuco, atendendo a um convite do então presidente do órgão, Fernando de Mello Freyre, ocupando o cargo até o ano de 2000, quando se aposentou.

Considerado como o realizador mais antigo da história do cinema em Pernambuco e um dos pioneiros do estilo Super Oito de fazer cinema, Spencer começou sua carreira de cineasta em 1969, com A busca, um filme experimental de sete minutos que escreveu, dirigiu e realizou, de maneira artesanal, tendo os filhos como atores e seu amigo Carlos Alberto Campos como fotógrafo.

Conhecido como o cineasta das três bitolas (super 8, 16 e 35mm) afirma preferir fazer documentários, porque têm a vantagem de poder ser realizado com uma equipe pequena [...] eu, o fotógrafo e um ou dois assistentes [...]  

Os filmes eram exibidos em faculdades, auditórios de associações culturais e principalmente nos festivais de cinema, realizados em diversas cidades brasileiras como Salvador, Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis, Penedo.

Foi presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Diretor da Divisão de Teatro e Cinema, da Secretaria de Educação e Cultura, da Prefeitura Municipal do Recife (década de 1970).

Autor de aproximadamente 36 filmes de curta metragem (em Super 8, 16mm,  35mm) e oito vídeos, ganhou diversos prêmios nacionais e estrangeiros.

Ao completar 80 anos, em janeiro de 2007, foi homenageado com o lançamento do DVD Paixão de cinema sobre sua trajetória, com depoimentos de amigos que acompanharam sua carreira, recuperada por Marcílio Brandão, um dos sócios da empresa Página 21, idealizadora e executora do projeto. Surpreso com a homenagem diz o cineasta: Eu não esperava um trabalho sobre a minha vida. Não imaginava que eu fazendo cinema, um dia pudesse ser o protagonista da obra.

Da sua filmografia podem ser destacados os seguintes trabalhos:

·         Caboclinhos do Recife (Super-8, 10m), melhor filme do I Festival Brasileiro de Cinema Super 8, Curitiba, PR, 1974.
·         Valente é o galo (Super-8, 10 m),, melhor filme da III Jornada Brasileira de Curta Metragem da Bahia, 1974;
·         Bajado – um artista de Olinda (Super-8, col., 10 m), 1975;
·         O teu cabelo não nega (Super-8, col., 10 m), 1975;
·         Domingo de fé (Super-8, col., 10 m., 1976),
·         Quem matou Marilyn, melhor montagem do IV Festival de Cinema Nacional de Sergipe, 1976;
·         Toré a Nossa Senhora das Montanhas (Super-8, col., 10 m), melhor fotografia do IV Festival de Cinema Nacional de Sergipe, 1976;
·         Farinhada (Super-8, col., 10 m), 1977;
·         A eleição do Diabo e a posse de Lampião no Inferno (Super-8, col., 10 m), 1977;
·         Frei Damião: um santo no Nordeste? (Super-8, col., 10 m), 1977;
·         Adão foi feito de barro (16 mm., col., 13 m), 1978. Ampliado para 35 mmpor haver sido selecionado pelo Conselho Nacional de Cinema – CONCINE,

·         RH positivo, melhor direção do Festival de Cinema do departamento Cultural do Centro Médico Cearense;
·         As corocas se divertem, melhor filme de comunicação e 2º melhor filme do VI Festival Nacional de Cinema de Sergipe, 1978;
·         Noza - santeiro do Carirí (16 mm., col., 10 m.), selecionado pelo CONCINE, Prêmio: Argumento, FUNARTE, 1979;
·         Cinema Glória, 3º lugar no VII Festival Nacional de Sergipe, 1979 (em parceria com Feliz Filho);
·         Eróticos Corbinianos, melhor filme na V Jornada de Cinema do Maranhão, 1981;
·         Santa do Maracatu (16 mm., col., 10 m), melhor filme e melhor montagem do IX Festival de Cinema Nacional de Sergipe, 1981;
·         Memorando Ciclo do Recife, melhor filme do concurso da TV Tropical, Recife, 1982;
·         Estrelas de celulóide, prêmio especial do Júri (Candango de Ouro) no XX Festival Brasileiro de Cinema de Brasília, 1987;
·         O último bolero no Recife, prêmio da Fundação de Cultura do Recife no I Concurso de Roteiro de Cinemas e Vídeo, 1987;
·         Trajetória do frevo (35 mm., col., 9 m), prêmio da Fundação de Cultura do Recife no I Concurso de Roteiro de Cinema e Vídeo, 1987;
·         Evocações Nelson Ferreira, melhor filme na Jornada Latino-Americana de Cinema e Vídeo, Maranhão, 1987. Melhor filme do III Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa, Aveiro, Portugal, 1988 (em parceria com Flávio Rodrigues);
·         A arte de ser profano (vídeo, 14 m), sobre os pastoris profanos de Pernambuco, 1999.
·         Almery, a estrela (vídeo digital), com o apoio da Diretoria de Cultura, da Fundação Joaquim Nabuco, lançado no Recife, em abril de 2007.

Em 2007, Fernando Spencer foi um dos escolhidos como Patrimônio Vivo de Pernambuco
.

 

Com uma longa trajetória na cinematografia pernambucana, Spencer foi um dos cineastas mais atuantes do Super 8, na década de 70, no Recife.

 

O cineasta das três bitolas (Super 8, 16 mm e 35 mm), como era também conhecido, faleceu aos 87 anos, vítima de câncer de pulmão, no dia 17 de março de 2014.

 

 

 

Recife, 29 de agosto de 2008.

Atualizado em 28 de agosto de 2009.
Atualizado em 08 de janeiro de 2018. (Os dois últimos parágrafos foram escritos pela colaboradora Claudia Verardi - Bibliotecária da Fundaj).

 

 

 


FONTES CONSULTADAS:

 

 

 

 

ENTREVISTA realizada com Fernando Spencer. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Cehibra. Nabuco. Projeto: Pensamento Social e Político do Nordeste, [199-?].


MACIEL, Camila. Alunos de Jornalismo entrevistam o cineasta Fernando Spencer. Disponível em: <goo.gl/E9UiaL>. Acesso em: 2 jan. 2008.


PAIXÃO de cinema, realizado por Marcílio Brandão. Recife, 2007. DVD duplo.


VERAS, Luciana. Uma marca na história do cinema pernambucano.Disponível em:<goo.gl/mFDwux>. Acesso em: 2 jan. 2008. Transcrito do Diario de Pernambuco, Recife, 29 jan. 2007. Caderno Viver.

 

 

 

 


COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

 

 


Fonte: GASPAR, Lúcia. Fernando Spencer. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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