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Felipe Camarão

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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          Apesar das controvérsias existentes sobre a naturalidade do índio Antônio Felipe Camarão, pode-se afirmar que nasceu em Pernambuco no ano de 1600 ou 1601.

 

         Educado pelos jesuítas e muito religioso, sabia ler e escrever português e tinha algum conhecimento de latim.

 

         Em 1629, residia na Aldeia Meretibi, onde o padre Manuel de Morais ensinava a doutrina católica aos indígenas.

 

         Em 1630, vivia na Aldeia de São Miguel ou Muçuí, comandando os índios potiguares, grupo ao qual pertencia.

 

         Com a chegada da frota holandesa, em 14 de fevereiro de 1630, às costas de Pernambuco e seu desembarque na praia de Pau Amarelo, Felipe Camarão e os índios daquela aldeia se juntaram a Matias de Albuquerque na defesa da capitania.

 

         Devido a sua inexperiência ou talvez por terem se assustado, os índios se dispersaram e os luso-brasileiros não conseguiram deter os invasores. Olinda e o Recife foram ocupados pelos holandeses.

 

         Por isso, Matias de Albuquerque criou as primeiras companhias de emboscadas e as “estâncias” (locais protegidos onde eram guardadas armas e munições) para defender a capitania, iniciando também a construção do forte do Arraial do Bom Jesus.

 

         Os índios passaram a ser muito temidos pelos holandeses e portugueses devido a sua crueldade e desobediência aos padrões de guerra dos europeus, principalmente no que se referia ao tratamento dado aos prisioneiros e ao respeito aos mortos.

 

         Felipe Camarão e seus comandados lutaram muito contra os holandeses no do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

 

         Por seu empenho e sua fidelidade aos portugueses recebeu várias honrarias do rei de Portugal, como o hábito da Ordem de Cristo, a patente de capitão-mor dos índios potiguares, a carta do brasão de armas, além de 80 mil reis de soldo.

 

         A mulher de Felipe Camarão chamava-se Clara e, segundo alguns historiadores, sempre o acompanhava nas suas lutas.

 

         Quando eclodiu a insurreição pernambucana, após o retorno do conde Maurício de Nassau à Holanda e o fim da política da boa convivência entre portugueses e holandeses, Camarão juntou-se definitivamente ao exército luso-brasileiro, comandado pelo então  governador geral do Brasil, Antônio Teles da Silva.

 

         Devido a sua perícia em emboscadas e seu grande conhecimento dos terrenos do Nordeste brasileiro, Camarão foi de grande ajuda para as tropas luso-brasileiras.

 

         Participou de vários combates, entre os quais o da Batalha de Casa Forte, travado no engenho de Anna Paes, no dia 17 de agosto de 1645, junto com outros heróis da Restauração Pernambucana como João Fernandes Vieira,André Vidal de Negreiros e Henrique Dias, assim como da primeira Batalha do Guararapes, no dia 19 de abril de 1648.

 

         Infelizmente, depois dessa batalha. Felipe Camarão contraiu uma febre infecciosa, morrendo provavelmente na primeira quinzena de maio de 1648.

 

         Consta que foi enterrado na Matriz de Nossa Senhora do Rosário da Várzea, embora não haja comprovação documental do fato e seus restos mortais nunca tenham sido encontrados.

 

          Recife, 22 de outubro de 2004.

          (Atualizado em 28 de agosto de 2009).

 

FONTES CONSULTADAS:

 

COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Dicionário biográfico de pernambucanos célebres. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1982. p.78-86.

 

MELLO, José Antônio Gonsalves de. D. Antônio Filipe Camarão: Capitão-mor dos índios da costa do Nordeste do Brasil. Recife: Universidade do Recife, 1954. 64p.

 

VASCONCELLOS, Telma Bittencourt de. Dona Anna Paes. Recife: Edição do Autor, 2004. p.188-191.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: GASPAR, Lúcia. Felipe Camarão [Antonio]. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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