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Bonecos Gigantes Foliões de Olinda

Maria do Carmo Andrade

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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Olinda é uma cidade tradicionalmente conhecida pelo seu carnaval de rua, pela participação do povo nos blocos, clubes e troças. Entretanto, são os bonecos gigantes que constituem uma atração à parte no carnaval de Olinda.

 

Segundo Bonald Neto, a participação dos bonecos gigantes no carnaval é muito antiga. Já em 1919, a figura do Zé Pereira, criada pelo folião Gumercindo Pires de Carvalho, animava o carnaval de Belém de São Francisco, cidade do sertão pernambucano. Em 1929, Gumercindo criou uma boneca gigante para companheira de Zé Pereira, que chamou de Vitalina.

 

Ao longo dos anos, foram surgindo outros bonecos. Em Olinda, o popular Homem da Meia-Noite surgiu em fevereiro de 1931, quando um grupo de associados, descontentes por não terem sido contemplados na chapa oficial da diretoria da troça O Cariri, criou o que seria, então, um dos mais conhecidos bonecos gigantes foliões de Olinda: o Homem da Meia Noite, confeccionado pelo marceneiro entalhador Benedito Barbaça e pelo pintor de parede Luciano de Queiroz, que era conhecido pelas suas habilidades na manipulação das cores das tintas, das massas e dos pincéis.

 

O Homem da Meia-Noite original pesava cerca de 50 quilos e tinha 3,50m de altura. Sua estrutura era em madeira, a cabeça, o busto e as mãos eram modeladas em papel gomado, com acabamento de massa de parede e depois pintadas na cor de pele humana. Os braços eram recheados de palha de colchão e os punhos e as mãos continham certa quantidade de areia para pesar e mantê-los em posição quando das evoluções do gigante folião no passo do frevo.

 

A pessoa que dá vida ao boneco, carrega-o na cabeça apoiado em almofada existente na base da estrutura de madeira. A cintura do boneco é localizada na altura dos olhos do carregador, que se orienta através de pequena abertura na braguilha da calça do boneco, que fica amarrada na cintura por debaixo do paletó.

 

Muitos anos depois, surgiu uma companheira para o Homem da Meia-Noite. Em 1967, os foliões Rodolfo Medeiros e Luiz José dos Santos tiveram a idéia de criar a Mulher do Dia. O artesão Julião das Máscaras modelou então a risonha boneca conhecida também como Monalisa, que mede 3,40m de altura e pesa 40 quilos. Para confecção de seu vestido se gasta, em média, 24m de tecido, muitos colares, brincos e enfeites de cabelo.

 

Em 1974, Ernane Lopes e Odival Olbino resolveram fundar uma troça carnavalesca e combinaram com Julião das Máscaras para fazer o boneco que representaria a troça. Surgiu então o Menino da Tarde, que cai no frevo, na tarde do sábado de carnaval, arrastando milhares de foliões até à noite, quando se recolhe.

 

Ainda na década de setenta, por sugestão de Dalma Soares e confecção de Sílvio Botelho, surge outra boneca gigante: a Menina da Tarde. Daí em diante, na década de oitenta, os bonecos gigantes do carnaval multiplicaram-se não só em Olinda, mas também no Recife e outras cidades de Pernambuco. Todavia, foi em Olinda que aconteceu uma verdadeira explosão demográfica dos bonecos gigantes foliões: artistas, políticos, personalidades intelectuais, tipos populares ou figuras fantásticas tradicionais.

 

Destacam-se alguns gigantes foliões relacionados por Bonald Neto: Zé Pereira, Lampião, Barba Papa, Seu Malaquias, Fofão, Tabaco, Boneco pé inchado, Tarado da Sé, Gilberto Freyre, Carlitos, John Travolta, Capitão Alceu Valença, Paralelo, Manuel Bombardino, Gonzagão, o Guarda noturno, o Carteiro, D. Olinda Olindamente Linda, Mãe Olinda, Maria Bonita, Homelhada, Galega de Olinda, Nordestina, o Perequito, o Urso, o Jacaré.

 

Os bonecos gigantes foram também representados em selo. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançou, em 1991, a primeira série dos selos comemorativos denominada Carnaval Brasileiro, incluindo reproduções do Homem da Meia Noite e da Mulher do Dia, entre outros elementos do carnaval da Bahia e do Rio de Janeiro.

 

Os carismáticos bonecos gigantes exercem grande fascínio sobre os foliões. Os artistas de Olinda, com sua arte dão vida e alma a tantos bonecos gigantes foliões que são a cara do carnaval de Pernambuco.

 

Recife, 14 de julho de 2004.

(Atualizado em 9 de setembro de 2009).

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

ATAÍDE, José. Olinda, carnaval e povo. Olinda, PE: Fundação Centro de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda, 1982.

 

BONALD NETO, Olímpio. Gigantes foliões no carnaval de PernambucoOlinda, PE: Fundação Centro de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda, 1992.

 

BONECOS gigantes foliões em Olinda (foto neste texto). Disponível em:  <www.onordeste.com> e >. Acesso em: 28 fev. 2011.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. Bonecos gigantes foliões de OlindaPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar>. Acesso em:dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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