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Cid Sampaio

Maria do Carmo Andrade

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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Tenhamos sempre presente que o homem

é a melhor  medida. E que a medida do

homem  não é a morte, mas a vida.

(Cid Sampaio, 27.01.1963)

 

Cid Feijó Sampaio, usineiro e industrial, foi governador de Pernambuco de1959 a 1963, deputado federal de 1967 a 1971, e senador da República de 1983 a 1987. Nascido no Recife, no dia 7 de dezembro de 1910, quinto filho do agricultor e industrial Mendo de Sá Barreto Sampaio e de Dona Sofia Feijó Sampaio.

Seguindo o costume da época, iniciou seus estudos em casa com um professor particular. Depois, foi estudar no Ginásio do Recife, renomeado mais tarde Ginásio Padre Félix, em homenagem ao seu então diretor, o Padre Félix. Após concluir o colegial seguiu para a Alemanha onde passou dois anos.

Quando voltou ao Brasil, matriculou-se na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde cursou quase simultaneamente os cursos de Química Industrial e Engenharia Civil, seguido pelo bacharelado em Engenharia Industrial. Graduou-se ainda em Sociologia e Biologia, cursos que na época duravam  apenas dois anos.

Seu primeiro trabalho como engenheiro foi a montagem das instalações elétricas de uma indústria de laticínios no Rio de Janeiro. De volta a Pernambuco, juntou-se aos irmãos Lael e Elzer para trabalhar na usina de açúcar da família, em Catende, onde foi diretor industrial por vários anos.

Casou-se com Dona Dulce de Souza Leão Sampaio, com quem teve cinco filhos, sendo três homens (Mendo, Ricardo e Eduardo) e duas mulheres (Carmem Sofia e Maria Dulce).

Ocupou vários cargos de destaque no estado de Pernambuco. Em 1947, foi presidente da Federação das Indústrias e, em 1952, o primeiro presidente eleito do Centro das Indústrias, criado com a finalidade de realizar estudos econômicos comparativos entre as diferentes regiões brasileiras, assumindo ainda a presidência da Cooperativa dos Usineiros.

Foi através da União Democrática Nacional (UDN), partido político ao qual era filiado desde 1947, que ele ingressou na política e por esse partido foi indicado como candidato a governador de Pernambuco. Contou com apoio, entre outros, de Luiz Carlos Lacerda e Gregório Bezerra ambos do Partido Comunista Brasileiro (PCB), tendo sido eleito por esmagadora maioria de votos.

Antes de assumir o governo, viajou aos Estados Unidos, visitando em seguida diversos paises da Europa, inclusive alguns situados sob a então chamada “cortina de ferro”, estendendo ainda a sua viagem à China, para um estudo in-loco das mais novas conquistas das técnicas aplicadas à indústria e à agricultura.

Retornando, assume o governo de Estado em 31 de janeiro de 1959. Sua administração foi voltada principalmente para à industrialização. Entre seus empreendimentos destacam-se a construção da Companhia Pernambucana de Borracha Sintética (COPERBO) fabricante de borracha a partir do álcool de cana-de-açúcar, instalada na Região Metropolitana do Recife.

A estatal foi descontinuada no governo Miguel Arraes por problemas de déficit e no governo Nilo Coelho (1967-1971) foi vendida à Petrobrás, que reestruturou seu parque industrial e passou a utilizar petróleo como matéria-prima.        

Criou o Bônus BS, um incentivo à arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM). O Bônus era um selo recebido pelo consumidor no ato da compra de mercadorias e trocados por bilhetes numerados que concorriam mensalmente a vários prêmios.

Criou o Banco de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco (BANDEPE) e instalou no Recife a CILPE, fábrica de laticínios e de beneficiamento de leite, com unidades receptoras do produto nos diferentes municípios do Agreste  e que abastecia o Recife.

Em 1961, o então governador apóia a candidatura de Miguel Arraes, seu cunhado, para prefeitura do Recife. Arraes ganhou a eleição pela “Frente do Recife”, uma aliança político-partidária das forças de esquerda e das correntes nacionalistas em Pernambuco.

Em 1962, por conta de diferenças políticas com Miguel Arraes, Cid Sampaio apoiou a candidatura do usineiro João Cleofas para governador do Estado, porém seu candidato foi derrotado e ele acabou passando o cargo para Miguel Arraes em 1963.

Após o Golpe Militar de 1964, Cid Sampaio filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (ARENA) partido situacionista, apesar de ser contra o movimento militar. Foi eleito Deputado Federal por Pernambuco para o mandato de 1967 a1971 pela ARENA.

Em 1974, Cid Sampaio, com Etelvino LinsPaulo Guerra e Nilo Coelho, posiciona-se contra a indicação de Moura Cavalcanti para ser o novo governador de Pernambuco, contrariando a nomeação do General Ernesto Geisel e, embora pertencessem ao mesmo partido, Moura Cavalcanti e Cid Sampaio rompem  relações.

Cid disputa as eleições para Senador por uma sublegenda da ARENA em 1978, tendo como adversários os candidatos Jarbas Vasconcelos do Movimento Democrata Brasileiro (MDB) e Nilo Coelho, esse também da ARENA, mas apoiado pelo antigo desafeto político e então governador Moura Cavalcanti. A soma dos votos dos dois arenistas derrotou Jarbas elegendo Nilo Coelho, seguido por Cid em segundo lugar.

Mais uma vez, em 1982, Cid tenta chegar ao Senado integrando a chapa do PMDB, que teve Marcos Freire como candidato a governador. No entanto, é derrotado mais uma vez. Todavia, com a morte inesperada do senador Nilo Coelho em 9 de novembro de 1983, estabeleceu-se uma polêmica sobre quem deveria assumir o mandato, se o suplente ou o segundo mais votado na eleição que elegeu o titular. Prevaleceu a hipótese do mais votado e o Senhor Cid Sampaio ocupou a vaga, exercendo o mandato até o final em 1987.

Em 1994, candidatou-se ao governo de Pernambuco pelo PMDB, com apoio do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8) numa disputa com Gustavo Krause do Partido da Frente Liberal (PFL) e Miguel Arraes do Partido Socialista Brasileiro (PSB).  Miguel Arraes vence com grande margem de votos.

Cid participou de diversos seminários e conferências, fez discursos e publicou alguns trabalhos, entre os quais podem ser destacados:  Economia do Nordeste; Estudos sobre o preço do açúcar; Processo ou ruína, açúcar, cana e política para exterminá-los  no Nordeste; Tratamento de choque para crise;  A problemática açucareira no Nordeste; A Economia Nacional; O álcool como combustível; O Porto do Recife e Reforma tributária.

Entre as muitas homenagens recebidas destacam-se: Medalha de Mérito Tamandaré; Medalha do Mérito Industrial; Grã-Cruz da Argentina; Grã-Cruz da Itália; Grande Oficial da Ordem do Congresso Nacional; Medalha do Clube de Engenharia de Pernambuco. Em 2002, a Assembléia Legislativa de Pernambuco o agraciou com o título Expoente de Pernambuco.

Cid Sampaio faleceu na cidade do Recife, no dia 30 de setembro de 2010, aos 99 anos.

Recife, 29 de fevereiro de 2008.

(Atualizado em 9 de setembro de 2009).



FONTES CONSULTADAS:


BIOGRAFIA dos Senadores. Disponível em: <
http://www.senado.gov.br/sf/senadores_biografias.asp?co...>. Acesso em: 13 fev. 2008.

CID Sampaio. 
Almanaque do Recife Lítero-Charadístico, Recife, 1962.

CID Sampaio. Disponível em: <
http://www.pe-az.com.br/biografias/cid_sampaio.htm> . Acesso em: 13 fev. 2008.

CID Sampaio. Foto nesse texto. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Cid+Sampaio>. Acesso em: 2 ago. 2016.

SAMPAIO, Cid. Entrevista realizada pelo CEHIBRA, da Fundação Joaquim Nabuco, em sua residência, no Recife. Depoimento colhido pela pesquisadora Eliane Moury Fernandes. Recife, 25 abr. 1989.

SAMPAIO, Cid. 
Quatro anos de governo. Recife: Governo do Estado, 1963.



COMO CITAR ESTE TEXTO
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Fonte
: ANDRADE, Maria do Carmo. Cid Sampaio. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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