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Porto do Recife

Regina Coeli Vieira Machado

Servidora da Fundação Joaquim Nabuco

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Ao longo da faixa litorânea, no extremo leste da América do Sul, por entre as muralhas dos arrecifes, formadas há milhões de anos pelo encontro do mar com a areia, surgiu um ancoradouro que, na época colonial, recebeu o nome de Arrecife dos Navios, pelo navegador Pero Lopes de Souzae que ficou registrado em seu Diário de Viagem (1530-1532).

 

Durante muito tempo, o Arrecife dos Navios permaneceu como principal portão de escoamento de mercadorias como o açúcar, o pau-brasil, animais silvestres, ouro e pedras preciosas, que eram a maior e mais rendosa fonte de riqueza para os cofres da Coroa Portuguesa, e do desembarque de imigrantes europeus, que tinham por objetivo a exploração das riquezas naturais da nova terra descoberta, de paisagem exuberante e de solo fértil, que enchia a vista e os bolsos dos exploradores.

 

A história do porto do Recife está profundamente ligada ao surgimento e ao desenvolvimento socioeconômico e  cultural do estado de Pernambuco e do Nordeste, por ter sido o ponto de  trocas de mercadorias e abastecimento das capitanias  do Piauí, Ceará, Paraíba, Alagoas e Sergipe.

 

No século XVI, com o crescente movimento de importação, produção e exportação de açúcar, surgiram ao longo da vizinhança do porto os primeiros povoados de imigrantes europeus que se estabeleceram para viver do comércio.

 

Neste período, apareceram também às margens do rio Capibaribe os primeiros engenhos de açúcar, que se constituíram em grandes núcleos de população formados pelos senhores de engenhos e suas famílias, lavradores, capelães, feitores, banqueiros e escravos, que se multiplicavam nas senzalas, dando origem às vilas.

 

Durante três séculos o Porto do Recife retratou o cotidiano público e privado da sociedade pernambucana. Muitas pessoas freqüentavam as áreas da Alfândega, entre elas homens, mulheres, ricos e pobres, jagunços, escravos, aristocratas, meretrizes e mascates, inclusive a nobreza que compunha a nobiliarquia pernambucana.

 

Dessa aglomeração foram-se construindo armazéns para estocar açúcar, propriedades urbanas como prédios, sobrados, casarões, moradias populares e estabelecimentos comerciais, cujas construções são preservadas até hoje.

 

A presença dos holandeses nos meados do século XVI, proporcionou significantes melhorias nas atividades portuárias e a chegada de mão-de-obra especializada, artesãos, pesquisadores,  engenheiros e técnicos.

 

As obras de construção do atual porto do Recife só tiveram início em 1909, sendo inaugurado em setembro de 1918. O primeiro vapor a atracar foi o paquete São Paulo, pertencente ao Loyde Brasileiro.

 

Com o desenvolvimento da navegação o porto do Recife tornou-se palco de  variadas atrações, onde a  sociedade  parava para assistir o embarque e desembarque de turistas, famílias de emigrantes, marinheiros, estivadores, vendedores, ambulantes e homens de negócios, e se divertir com a chegada dos primeiros navios  a vapor, os transatlânticos  e paquetes estrangeiros, todos enfeitados com bandeirolas, e que, quando cruzavam a barra, toda a cidade era  avisada através de tiros de canhões emitidos pelo Forte Quebra–Portas. Eles aportavam em ritmo de festa, ao som da Banda da Policia Militar, instalada em palanque armado no pátio do Arsenal da Marinha.

 

Outros episódios que marcaram a vida social do Porto foram os desembarques de personalidades ilustres como Santos Dumont; Joaquim Nabuco; D. Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina; as procissões fluviais realizadas por pescadores devotos  de  Nossa Senhora dos Navegantes e Nossa  Senhora da Boa Viagem, que faziam cortejos em jangadas, barcas e canoas enfeitadas de bandeirinhas, balões e bandas de músicas, partindo do marco zero até a praia da Boa Viagem e  de Piedade.

 

Durante a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, o Porto do Recife também teve relevante participação histórica, quando serviu de  base de apoio às Forças Expedicionárias Brasileira e Norte-Americana.

 

No decorrer do século XX, a economia brasileira teve um acelerado crescimento em decorrência da implantação das multinacionais que estocavam combustíveis inflamáveis, derivados do petróleo e demais produtos químicos, assim como na importação e exportação de grãos e cereais. Com a demanda houve a proliferação de construções de galpões, armazéns e containers nas proximidades do cais, o que se constituía um risco à segurança  da população e ao meio ambiente da cidade.

 

Por medida de proteção e preservação ambiental, houve a desativação desses  depósitos e sua transferência para  um outro porto fora da cidade.

 

Surgiu então, o projeto para construção do Complexo Industrial de Suape,  situado a 40 km do Recife, entre os municípios  do Cabo de Santo Agostinho e  Ipojuca , ocupando uma área de 135 mil hectares.

 

O Porto de Suape, considerado o maior e mais importante do Nordeste teve suas obras iniciadas em 1968. Programado para operar com produtos inflamáveis, em substituição ao Porto do Recife, começou a funcionar em 1982.

 

Os armazéns que compunham o complexo portuário do Recife, atualmente são utilizados como centros de atividades culturais de grupos de dança, teatro, bibliotecas virtuais, exposições, feiras artesanais, lojas e shoppings.

 

Enquanto que os prédios de arquitetura de estilo colonial, onde funcionava o comércio, escritórios de representações e moradias, foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN), transformando-se em instituições culturais, bares e restaurantes  freqüentados por jovens e adultos da terceira idade.

 

 

           Recife, 30 de agosto de 2004.

           (Atualizado em 18 de agosto de 2009).

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

ALMEIDA, Suely Cordeiro de. Um porto e uma cidade: fragmentos de história da Recife dos Navios. Revista Symposium, Recife, ano 4, n. especial,  p.25-37, jan./jun.2000.

 

BARBOSA, Josué Humberto. Porto, navegação e vida social antiga: um cronista e o cotidiano do Recife nos meados do XIX. Saeculum: Revista de História, João Pessoa, n. 4/5, p.197-205, 1999.

 

BRAGA, Napoleão Barroso. Do abrigo remansoso nasce o porto. Arrecifes. Recife, ano 3, n.2, p.16-19,

 

SETTE, Mario. Porto do Recife. Recife: Prefeitura Municipal do Recife, 1945, 28p.

 

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: MACHADO, Regina Coeli Vieira. Porto do Recife. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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