Home
Irmãos Valença

Virgínia Barbosa

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.


 

 



Os instrumentistas e compositores João Vitor do Rego Valença e Raul do Rego Valença, filhos de João Bernardo do Rego Valença Filho e Maria Martins do Rego Valença, nasceram no bairro da Madalena, cidade do Recife em 2 de abril de 1890 e 7 de agosto de 1894, respectivamente. Formaram uma dupla expressiva da música do Carnaval de Pernambuco e ficaram conhecidos em todo Brasil como Irmãos Valença.

 

A família Valença ficou famosa por conta da tradicional opereta natalina O Presépio dos Irmãos Valença, encenada pela primeira vez no Recife, em 1865, pelo casal João Bernardo do Rego Valença e Dona Ana Alexandrina do Rego Valença, avós de João e Raul, no Sítio dos Valença, que fica no bairro da Madalena. A origem do Presépio é de Aracati, Ceará, e veio para o Recife por intermédio de Dona Alexandrina. Interrompidas as encenações em 1880 e 1900, João e Raul reativaram a opereta em 1910. O Presépio passou por muitas dificuldades para manter suas apresentações. Atualmente, está na sua sexta geração e é encenado restritamente para a família e amigos.

 

João Vitor, com apenas oito anos, aprendeu piano e, mais tarde, teve aulas de solfejo.  Raul, aos 20 anos, estudou violão. Ambos continuaram seu aprendizado como autodidatas. Sem dúvida, o Presépio que era encenado em sua casa influenciou os irmãos na composição de músicas para teatro, comédias, marchas juninas, carnavalescas e maracatus.

 

Em 1924, junto com primos e amigos, fundaram uma sociedade teatral, o Grêmio Familiar Madalenense. Foi nessa época que compuseram as suas primeiras músicas. Iniciaram com a opereta Espinho de rosa (1924), logo depois, as comédias musicadas Gato escaldado, Cartazes de amor, Coração de violeiro (opereta regional).

 

João Valença escreveu as canções: Viola querida, Capionga  e Devoção, além de diversos hinos, tais como o Hino Juarez Távora, Hino do detento e o Hino de São Sebastião, este último com Ariano Suassuna Compôs com diversos parceiros, entre eles Silvino Lopes e Samuel Campelo, as peças teatrais: Noite de novena, Uma senhora viúva e Luar do Norte. Criaram também músicas para as peças teatrais infantis O Pequeno Polegar e Mulatinha. Foram apresentadas no Grêmio e, mais tarde, no Teatro Santa Isabel pelo grupo Gente Nossa.

 

Em 1928, os irmãos compuseram a marcha carnavalesca Mulata que foi muito tocada por orquestras nos clubes recifenses. Em 1932, o músico carioca Lamartine Babo gravou esta marcha mantendo a música, alterando a poesia e o título para  O teu cabelo não nega. João e Raul Valença tomaram as providências legais para confirmar a autoria da música e a justiça deu sentença favorável a eles. Entretanto, a Lamartine foi concedida co-autoria da marcha carnavalesca que foi um grande sucesso no Brasil. Em 1975, gravaram o LP Pastoril pela Rozenblit.

 

Principais obras:

 

Entre tantas composições destacam-se: A lua veio ver, Vou pedir a pape, Boneca sem coração, Mandarim, Romance sertanejo, Iracema, Vila de Pinho, Mandinga, Capionga, Devoção, Malmequer e Maracatucá (em parceria com o jornalista Silvino Lopes conquistou o segundo lugar no concurso promovido pela Federação Carnavalesca, Rádio Clube de Pernambuco e Diario de Pernambuco, em 1938); Você não gosta de mim; Tive um sonho que durou três dias; O meu bode anda solto; O teu lencinho; Máscaras de veludo; Pisa a baiana, Foi você que me deu um beijo; Mulata (gravada em 1932 por Lamartine Babo, passando a se chamar O teu cabelo não nega); com o maracatu Ô, já vou e  as marchinhas Nós dois e Foi você foram três vezes campeões do Carnaval do Recife.

 

Peças teatrais: Maior riqueza, Mancheiros de rosas, A cigana.

 

Musicaram várias peças teatrais: Lar do Norte, Morenas brasileiras, Noites de novena, Cartazes de amor.

 

João Valença faleceu em 7 de agosto de 1983 e Raul em 16 de julho de 1977. Antes de morrer, Raul já havia preparado o frevo-canção Xique-xique-bum e o maracatu Rainha dos Palmares, para o Carnaval de 1978.

 

 

 

Recife, 26 de fevereiro de 2010.

Atualizado em 03 de outubro de 2017.

 

 

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

 

 

  

IRMÃOS Valença. Disponível em: <http://www.geocities.com/locbelvedere/Biografia/BiografiaIrmaosValenca.htm>.  Acesso em: 22 fev. 2010.

 

IRMÃOS Valença. Disponível em: <goo.gl/Q3CKKC>. Acesso em: 22 fev. 2010.

IRMÃOS Valença [Foto neste texto]. Disponível em: <http://www.onordeste.com/portal/irmaos-valenca-joao-valenca-raul-valenca/>. Acesso em: 03 out. 2017.

 

IRMÃOS VALENÇA. In: CÂMARA, Renato Phaelante. MPB: compositores pernambucanos; coletânea bio-músico-fonográfica, 1920-1995. Recife: Fundaj, Editora Massangana, 1997. p. 64. (Estudos e Pesquisas, 96).

 

OS QUE fazem o carnaval. Anuário do Carnaval Pernambucano 1938. Recife: Federação Carnavalesca Pernambucana, 1938.

 

PCR apresenta o presépio dos Irmãos Valença. Disponível em: <goo.gl/b476KD> . Acesso em: 22 fev. 2010.

 

SENA, Márcia. Presépio dos Irmãos Valença – 143 anos: trajetória de uma tradição familiar. Algomais, Recife, 2008. Disponível em: <http://www.revistaalgomais.com.br/noticias/noticiaClicada.php?not=1043>. Acesso em: 10 fev. 2010.

 

 

 

 

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

 

 

Fonte:  BARBOSA, Virgínia. Irmãos Valença. Pesquisa Escolar online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2009).

 

Busca "Palavra-chave"

Busca "A a Z"


Copyright © 2018 Fundação Joaquim Nabuco. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido pela Fundação Joaquim Nabuco