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Ilha Joana Bezerra
Seg, 05 de Abril de 2010 12:37

Virgínia Barbosa

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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         Hoje, a cidade do Recife é constituída por três ilhas: a do Recife, a de Santo Antônio e a da Boa Vista, interligadas por pontes.

        

         Historicamente, registrou-se que, em 1537, as ilhas que formaram a Cidade Maurícia não tinham nome. Eram conhecidas apenas por Ilhas do Porto dos Navios. O proprietário daquelas terras era o capitão-mor Jerônimo de Albuquerque. Com a sua morte, em 1584, cada um de seus filhos vendeu a parte por eles herdada.

         A ilha de Santo Antônio foi comprada pelo colono Marcos André, fundador do engenho da Torre. Em 1605, ele vendeu parte de suas terras para Antonio Vaz. Dessa forma, a ilha passou a ser chamada pelo nome do proprietário. A outra parte, 56 braças de terra, ele doou, em 1606, para os religiosos franciscanos que ali construíram um convento sob a invocação de Santo Antônio, e daí vem a denominação do bairro de Santo Antonio.

         Posteriormente, o genro de Antonio Vaz, senhor João Feijó, vendeu a parte que coubera em partilha à sua esposa para Manuel Francisco e sua mulher Isabel Gomes Catanho. Em 1627, os padres franciscanos compraram do casal trinta braças de terra. O Conde Maurício de Nassau se apossou de outra porção, localizada no extremo norte da ilha, para construir o Palácio de Friburgo ou das Torres.

         As terras que ficavam ao sul da ilha de Santo Antônio foram denominadas de Ilha de André de Albuquerque, nome de seu proprietário, que era filho e herdeiro de Jerônimo de Albuquerque. Nela é que encontramos o bairro de São José. Segundo Pereira da Costa, “separavam estas duas ilhas um extenso e largo canal, obliquamente disposto, que partindo da altura do local ocupado hoje pelo edifício do Liceu de Artes e Ofícios, e tomando uma direção diagonal, passava pelo pátio de São Pedro e seguia a despejar em um mangal que ficava nas circunvizinhanças da igreja de Santa Rita”.

         André de Albuquerque passou o domínio e a posse de suas terras para sua filha D. Luísa de Albuquerque. Antes da invasão holandesa, em 1630, ela as vendeu para Belchior Alves Camelo. Belchior, português natural de Ponte do Lima, casou com D. Joana Bezerra, filha de Antonio Bezerra e Isabel Lopes, de importante família colonial.

Além dessa ilha, comprou lotes situados no extremo sul da ilha de Santo Antonio, algumas terras da Madalena, as que pertenceram a Gonçalo de Albuquerque, e “grandes sesmarias nos sertões marginais do alto S. Francisco, e de outras comarcas das Alagoas”. Fazia parte das terras que pertencera a Gonçalo de Albuquerque, filho de Jerônimo de Albuquerque, uma ilha que se chamou Joana Bezerra, nome da mulher de Belchior.

         Em 16 de abril de 1656, Belchior e sua esposa D. Joana Bezerra doaram suas terras situadas no lugar chamado Fora das Portas de Santo Antônio, perto do Forte das Cinco Pontas, para os padres capuchinhos fundarem um hospício no Recife.

         Embora não se saiba a época do falecimento do coronel Belchior, o historiador Pereira da Costa informa que ele e sua mulher foram sepultados na capela-mor da igreja do hospício. Este fato tornou-se conhecido dois séculos depois da doação do terreno aos capuchinhos, quando o ladrilho da capela-mor foi refeito. Naquela ocasião, os restos mortais deles foram “retirados e colocados em um decente mausoléu, no qual foi inscrito este epitáfio: Aqui jazem os restos mortais de Belchior Alves e Joana Bezerra, cônjuges doadores e benfeitores deste hospício. O. M. R. Padre Prefeito Frei Serafim de Catania mandou gravar esta lápide comemorativa em 15 de julho de 1865”.

         De acordo com o Censo IBGE, a ilha Joana Bezerra tinha 12.755 habitantes no ano 2000, numa área de 116,0 hectares. Hoje, encontram-se ali instaladas duas  instituições de destaque: o Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano e a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).

Recife, 31 de maio de 2007.

(Atualizado em 14 de setembro de 2009).

 

FONTES CONSULTADAS:

 

COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Anais Pernambucanos. Recife: Arquivo Público Estadual, 1952. v. 2, 3 e 5.

 

FONSECA, Antonio José Victoriano Borges da. Nobiliarchia Pernambucana. Rio de janeiro: Bibliotheca Nacional, 1935. v. 1.

 

ILHA Joana Bezerra. Disponível em: <http://www.pe-az.com.br/bairros_recife/bairros_ilha_joana_bezerra.htm>. Acesso em: 28 maio 2007.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: BARBOSA, Virgínia. Ilha Joana BezerraPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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