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Museu do Estado de Pernambuco

Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco
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O Museu do Estado de Pernambuco (MEP) foi criado no dia 24 de agosto de 1928, através da Lei Estadual nº 1.918. A referida lei, pioneira no Nordeste do Brasil e no próprio País, autorizava o governador Estácio Coimbra a criar a Inspetoria Estadual de Monumentos e um Museu Histórico e de Arte Antiga.

Em 1930, expondo somente algumas coleções de quadros, o MEP foi instalado na cúpula do Palácio da Justiça. De 1934 até 1940, o acervo do museu permaneceu sob a guarda da Biblioteca Pública do Estado.

No dia 10 de maio de 1940, o MEP foi recriado pelo Decreto nº491. Neste sentido, as suas novas instalações foram inauguradas na avenida Rui Barbosa nº 960, esquina com a rua Amélia, situada na localidade de Ponte d’Uchôa.

O palacete de dois andares, que hoje abriga o MEP, constituía-se no antigo solar imperial do Dr. Augusto Frederico de Oliveira, um neto materno do Barão de Beberibe. Nele, encontra-se um belo jardim repleto de acácias, flamboyants, mangueiras, goiabeiras, jambeiros, entre outras árvores.

Aquele local, contudo, em 1933, antes de ser utilizado como museu, serviu como quartel do 2º Batalhão de Caçadores da Brigada Militar de Pernambuco. Atualmente, o MEP é uma unidade da Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes.

Na entrada do solar, encontram-se dois grifos de bronze contendo cabeças de águia, corpos de leão e caudas de serpente, bem como grandes vasos de cerâmica portuguesa, que estão espalhados por todo o museu. No jardim, há três lampiões e estátuas de sacerdotisas - sendo uma egípcia e, as outras duas, romanas - e, ao lado da escadaria, vêem-se estátuas de zuavos, os soldados da infantaria argelina a serviço da França.

No terraço da frente, feitas em mármore, estão alinhadas as estátuas de divindades da mitologia clássica que presidem as diversas artes. São elas, a partir do lado esquerdo: Euterpe (deusa da música), Polínnia (da retórica), Erato (da poesia), Memmosina (da memória), Melpómene (da tragédia), Tália (da comédia), Clio (da história), Calíope (musa inspiradora da poesia épica), Terpsícore (da dança) e Urânia (da astronomia).

No MEP destacam-se obras de arte marajoara, móveis elaborados pelo célebre marceneiro Francisco Béranger, louças e porcelanas portuguesas, peças francesas e dois painéis a óleo sobre a Insurreição Pernambucana, datados de 1709 (que vieram da Câmara de Olinda) retratando João Fernandes Vieira, Henrique Dias, André Vidal de Negreiros e Antônio Felipe Camarão.

Além desses painéis, pode-se apreciar outros quadros contendo pinturas dos importantes personagens da invasão holandesa - o Almirante Hendrik Corneliszoon Lonk, o Coronel Diederik van Waerdenburch e o Conde Maurício de Nassau - quadros do pintor holandês Franz Post, e algumas peças flamengas que foram encontradas nos Montes Guararapes: um par de luvas, uma cota de malha de cobre e balas esféricas de canhão.

Cadeiras e utensílios de latão e de cobre, que faziam parte do equipamento doméstico holandês, estão presentes no Museu do Estado.

Em uma das salas, é possível se observar outros painéis a óleo - os maiores presentes no museu - representando as três batalhas decisivas que os luso-brasileiros travaram contra os holandeses: a primeira delas, no Monte das Tabocas, perto da vila de Santo Antão, e as duas últimas nos Montes Guararapes. Os três painéis evidenciam uma grande riqueza de detalhes.

Datado de 1641, há no MEP um canhão de fabricação holandesa, feito em bronze, medindo três metros de comprimento, que contém o emblema dos Estados Gerais dos Países Baixos e pesa 1.600 kg. Atrás do casarão, vê-se uma pequena peça portuguesa de artilharia.

Em uma outra sala, destacam-se peças do mobiliário português seiscentista, feito em jacarandá e couro lavrado. As mesas, por exemplo, possuem formas pesadas e as suas pernas são torneadas e volumosas. Pode-se ver, ainda, dois quadros de tamanho natural, pintados a óleo, retratando o Imperador Dom Pedro I e a Imperatriz Leopoldina.

Existem outros destaques no museu: o primeiro, representa um Menino Jesus em barro, do século XVII, cujo trabalho de escultura foi atribuído ao Frei Agostinho da Piedade; o segundo, trata-se de um oratório com imagens do século XVIII; um outro, é um palanquim dourado do século XVII, pintado com motivos eucarísticos, que pertenceu à Igreja Matriz do Corpo Santo, e através do qual os padres davam a extrema-unção aos doentes em estado terminal; e, por fim, vê-se um presépio luso, esculpido em tronco de cajá e embutido na parede.

No MEP, estão expostas, inclusive, porcelanas orientais, dos séculos XVII e XVIII, que pertenceram às dinastias Ming e Ching.

No andar superior do casarão, encontram-se cromolitografias do século XIX, uma vista panorâmica da capital do Estado, tomada por Frederich Hagedorn, e litografias de artistas da Europa oriental, que são muito valiosas para o conhecimento do Recife antigo entre os anos de 1830 e 1890. No MEP estão expostos retratos de corpo inteiro, que foram pintados a óleo sobre tela, de Dona Leopoldina de Habsburg - arquiduquesa da Áustria e primeira imperatriz do Brasil - de Dona Thereza Christina Maria de Bourbon - terceira imperatriz do país - e de Dom Pedro deOrleans e Bragança - o segundo imperador do Brasil. Cabe salientar que outras peças do museu valem a pena ser admiradas, como, por exemplo:

 

  • Quadros de Jerônimo José Teles Júnior, pintor pernambucano do século XIX;
  • Coleção de jarros de louça, opalina e porcelana;
  • Coleção de imagens de marfim;
  • Coleção de ex-votos do século XVIII;
  • Talhas e cofres em madeira dourada;
  • Mobiliário pernambucano dos séculos XVIII e XIX;
  • Presépio de barro do século XVIII;
  • Gravura do Recife antigo;
  • Oratório em jacarandá;
  • Vitrines com coleção de leques;
  • Vitrines com coleção de objetos de ouro e prata;
  • Um grande piano e espelhos de cristal.


No MEP estão expostas algumas peças arqueológicas do século XVII: esculturas em pedra, encontradas por ocasião da demolição de uma casa da rua Vigário Tenório, no Recife; e uma inscrição em holandês Nist sonder Got, que significa "Nada sem Deus".

Excetuando-se as coleções permanentes, as exposições temporárias e as atividades didáticas, o MEP vem desenvolvendo um importante trabalho de divulgação cultural, através de cursos voltados para a museografia e a museologia. Tais cursos são supervisionados pela Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes, pelo Museu da Imagem e do Som de Pernambuco, pelo Museu do Barro, do Recife, e por outros museus pernambucanos.

No que diz respeito às atividades didáticas do Museu do Estado, pode-se ressaltar o atendimento dado pelo museu, que é voltado para elevar o nível educacional dos usuários que visitam as suas instalações. O MEP, por conseguinte, tem buscado revitalizar a memória histórica de Pernambuco, e contribuído para o aprimoramento cultural de toda a população.


Recife, 5 de dezembro de 2003.
(Texto atualizado em 9 de outubro de 2008).

 

FONTES CONSULTADAS:

 

AMARAL, Neusa. Museu do Estado de Pernambuco. Patrimônio Cultural de Pernambuco. Recife, a. 3, n. 32, ago. 1985.

BARBOSA, Antônio. Relíquias de Pernambuco. São Paulo: Editora Fundo Educativo Brasileiro, 1983.

CAVALCANTI, Carlos Bezerra. O Recife e os seus bairros. Recife: Câmara Municipal do Recife, 1998.

FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1977.

GIBSON, Gustavo. Informações sobre o parentesco de Augusto Frederico de Oliveira (neto materno) enviadas por e-mail em 24 de abril de 2012.

SILVA, Leonardo Dantas. Pernambuco preservado. Recife: Edição do Autor, 2002.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Museu do Estado de Pernambuco.  Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br//>. Acesso em:dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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