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Maurício de Nassau

Elizabeth Dobbin

Psicóloga, servidora da Fundação Joaquim Nabuco

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João Maurício de Nassau-Siegen nasceu em 17 de junho de 1604, no Castelo de Dillemburg, cidade do condado de Nassau, na Alemanha. Era filho de Jan de Middelste (João, o do Meio) e de Margaretha van Holstein, Princesa do Holstein-Sanderburg.

        

 João Maurício viveu em Dillemburg apenas seus dois primeiros anos de vida. Em 1606, a família transferiu-se para Siegen, onde passou sua infância.

Como era costume na época, Nassau foi instruído inicialmente pelo seu pai, pedagogo, freqüentando depois a escola de Siegen. Em 1614, aos dez anos, foi enviado à universidade de Basiléia, na Suíça, indo, em 1615, para Genebra.

Do início de 1616 até 1619 ele viveu em Kassel, onde continuou seus estudos no Colégio Mauritianum. Ali, ele aprendeu o francês, o italiano, e o espanhol (que lhe foi útil no Brasil), além de retórica, história, filosofia, teologia, astronomia e matemática, essencial à arte militar. O Colégio também ensinava aos seus alunos aristocráticos montaria, música, dança e esgrima.

         

         Nassau destacou-se em várias campanhas militares, entre as quais aGuerra dos Trinta Anos (1618), o sítio de Den Bosch (1632), a reconquista deSchenckenshaus (1636) tornando-se conhecido e respeitado rapidamente.

         

        Em 1632, iniciou a construção de um palácio em Haia (hoje um ponto turístico da cidade holandesa). Seus compromissos financeiros para a conclusão da obra (muito mais altos do que o previsto) convenceram-no a aceitar o convite da Companhia das Índias Ocidentais para assumir o governo político e militar no Brasil, com o título de governador e comandante-em-chefe e uma ótima remuneração.

         

      Maurício de Nassau chegou ao Recife em 23 de janeiro de 1637 e, encantado com a beleza da terra tropical, passou a chamar Pernambuco deNova Holanda. A sua comitiva era composta de pintores, como Frans Post e Albert Eckhout, escultores, astrônomos, arquitetos e outros cientistas, sendo recebido com alegria não apenas pelos holandeses como pelos próprios civis luso-brasileiros, esperançosos de dias melhores, já que a colônia encontrava-se num estado lamentável, predominando a desordem e a corrupção.

        

        No início de fevereiro, atacou Porto Calvo, em Alagoas, conseguindo vencer as tropas luso-brasileiras no local que era o último foco de resistência contra a ocupação holandesa.

         

       Nassau tratou de desbravar o interior e projetou, no Recife, a cidade Maurícia ou Mauriciópolis, construída para ser o centro do poder no Brasil. Promoveu melhorias urbanas, calçou ruas com pedras, proibiu o tráfego de carros de boi para não destruir as vias, criou um corpo de bombeiros voluntário, implantou o imposto territorial urbano, construiu casas e pontes, dois palácios suntuosos como o Palácio de Friburgo, que servia de residência ao governador e possuía um aviário, um jardim zoológico e um jardim botânico.

         

        Restabeleceu a produção da capitania quando ofereceu empréstimos para recuperação dos engenhos de açúcar; determinou que a justiça fosse igual para todos, holandeses ou moradores da terra; respeitou as diferentes crenças religiosas; financiou a compra de novos escravos, mesmo sendo contra a escravidão, porém proibiu o trabalho dos negros aos domingos, assim como a separação dos casais na hora da venda.

         

        O Conde João Maurício de Nassau-Siegen governou o Brasil de 1637 a1644. Sua administração ficou fortemente marcada pela construção de centros urbanos, de canais para evitar inundações, pontes, escolas, teatros, hospitais, asilos, estradas e fortes. Fundou uma imprensa, criou bibliotecas, museus e um observatório astronômico, transformando assim o Recife, de pequeno povoado de pescadores, numa cidade muito desenvolvida para a época.

         

       Era um homem gentil, simpático e tolerante. Foi um administrador hábil, que se mostrou a princípio liberal e soube captar a simpatia dos brasileiros Revelou-se um excelente administrador para o povo, mas não para a Companhia das Índias Ocidentais. Nassau tinha um plano pessoal de governo, queria fazer fortuna e se destacar para receber o título de príncipe, além de ter uma visão colonizadora que não interessava a Companhia. A esta só interessava o lucro.

No dia 11 de maio de 1644, Nassau partiu do Recife, a cavalo, com destino à Paraíba, sendo saudado e aclamado por tropas perfiladas, autoridades e pela população em geral, inclusive índios tapuias.

No dia 23 do mesmo mês, embarcou com uma frota para a Holanda, levando para seu palácio de Haia, objetos e pinturas que decoravam sua residência no Brasil, reintegrando-se à carreia militar.

         

          Em 1647, foi novamente chamado para governar o Brasil, mas como exigiu plenos poderes, um exército maior e melhor remuneração, a Companhia não concordou e, por conseguinte, o conde alemão não mais retornou ao país.

         

         Nesse mesmo ano de 1647, Nassau foi dirigir os governos de Kleve, Mark e Ravensburg, o que lhe valeu a condecoração de grão-mestre da Ordem Teotônica.

         

         Em 1652, foi elevado à dignidade de Príncipe do Império Alemão, sendo eleito grão-mestre da Ordem de São João da Alemanha.

         

          Foi nomeado comandante-em-chefe do exército dos Países Baixos em 1665.

         

         Com 70 anos de idade, em 1674, tomou parte na Companhia dos Países Baixos Espanhóis (atualmente Bélgica), lutando na Batalha de Senef.

         

          Em 1675, recolheu-se à cidade de Cleves, escolhida para viver os seus últimos dias, falecendo em 20 de dezembro do ano de 1679, aos 75 anos, sendo suas cinzas guardadas como um tesouro, até que foram levadas para o jazigo da família, em Siegen.

         

         Apesar de divergências entre historiadores, Maurício de Nassau foi considerado como homem de tino político, idealista, tolerante e hábil, um administrador que deu um grande impulso econômico e cultural a Pernambuco, tornando-se um imortal no Velho e no Novo Mundo.

         

        Segundo o pesquisador do período holandês Marcos Galindo, “Pernambuco nunca viveu outro momento com tanta importância no cenário universal” como na época do seu governo.

 Recife, 30 de junho de 2004.

(Atualizado em 18 de agosto de 2009).

FONTES CONSULTADAS:

DICIONÁRIO enciclopédico brasileiro ilustrado. 6.ed. Porto Alegre: Globo, 1958.

DONATO, Maria das Graças Andrada. Recife, cidade Maurícia. Recife: COMOCI, 1986.

DREGUER, Ricardo; MARCONI, Cássia. História 4: Projeto Presente. São Paulo: Editora Moderna, 2000.

MELLO, Evaldo Cabral de. Nassau antes de Pernambuco. Continente Multicultural, Recife, v.1, n,.1, p.38-45, jan. 2001.

SOURIENT, Lílian; OLSZEWSKI, Kátia Marise. História: interagindo e percebendo. São Paulo; Editora do Brasil, 2001. 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: DOBBIN, Elizabeth. Maurício de Nassau. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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