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Manuel Eudócio

Virginia Barbosa

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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Manuel Eudócio Rodrigues nasceu no Alto do Moura, Caruaru-PE, no dia 28 de janeiro de 1931.

Com a morte prematura da sua mãe, foi criado por sua avó materna, Tereza Maria da Conceição, que era louceira. Foi com ela que iniciou sua atividade artística de fazedor de bonecos de barro, os quais eram vendidos nas feiras livres.

         

Trabalhar em barro naquela época era comum aos meninos do interior. Eles modelavam cavalos, bois, vacas que serviam de brinquedos. Manuel Eudócio era um desses meninos. Sua família, como tantas outras, passava dificuldades e privações, o que afetou sua freqüência à escola, que durou apenas seis meses, pois precisava ajudar o seu pai na agricultura.

         

Em 1948, com 17 anos, Manuel iniciou efetivamente sua vida de artesão do barro já em convívio com o mestre Vitalino, que chegara de Sítio Campos para viver no Alto do Moura. Com a sua chegada, muitos artesãos aprendiam ou aprimoravam suas técnicas de produção. Havia um clima amistoso entre eles e muitos temas eram copiados  sem que houvesse preocupação com a “imitação”, o “plágio”. O trabalho diário de Manuel Eudócio com seu cunhado Zé Caboclo – José Antônio da Silva – e o mestre Vitalino deixou marcas em suas obras. Entretanto, como todo artista, soube criar seu estilo, observando no dia-a-dia as pessoas e os costumes. Aliás, foram Manuel Eudócio e Zé Caboclo que criaram a representação do olho nas peças “através de um pequeno relevo pintado de branco com um pontinho preto no meio.”

         

A elaboração das peças de Manuel Eudócio, depois de manipuladas em argila úmida, são queimadas sem o uso do esmalte, a cada quinze dias, em um forno a lenha que ele mantém no seu quintal e, posteriormente, são decoradas com tinta a óleo brilhosa ou fosca. A família ajuda e tem na nova geração a esperança de continuidade. Dos nove filhos de Manuel, dois deles – Carlos e José Ademildo – e suas respectivas esposas, trabalham na arte de manusear o barro.

         

Seu trabalho é reconhecido nacionalmente, especialmente no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Bahia, e no exterior, onde conquistou clientes alemães, franceses, portugueses e norte-americanos.

 

Em agosto de 2005, o artista foi homenageado com uma exposição individual – Manuel Eudócio: Patrimônio Vivo, realizada na Sala do Artista Popular do Museu do Folclore do Rio de Janeiro.

 

Manuel Eudócio foi um dos contemplados como Patrimônio Vivo de Pernambuco, através da Lei estadual nº 12.196 de 2 de maio de 2002.

         

Aos 75 anos, morador do Alto do Moura, continua em plena atividade, seguindo sua rotina de artesão do barro desde os primórdios.

 

 

Recife, 28 de abril de 2006.

Atualizado em 14 de setembro de 2009.
Atualizado em 10 de janeiro de 2018.

 

 

 

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

 

 

AMORIM, Maria Alice. As peças do meu jeito. Continente Documento, Recife, ano 4, n.43, p. 15-18,  mar. 2006.

 

MANUEL Eudócio [Foto neste texto]. Disponível em: <http://www.peconhecepe.com.br/img/per_odocio.jpg>. Acesso em: 5 jan. 2009.

 

PATRIMÔNIO Vivo. Diario de Pernambuco, Recife, 31 jan. 2006. Especial.

 

 

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

 

 

Fonte: BARBOSA, Virgínia. Manuel Eudócio. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br//>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.                                                                                         


 
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