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Jorge de Lima

Virgínia Barbosa
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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         O escritor, poeta, médico, pintor e tradutor Jorge Mateus de Lima nasceu no dia 23 de abril de 1893, no município de União dos Palmares, Alagoas, região onde existiu o Quilombo dos Palmares. Foram seus pais, José Mateus de Lima, comerciante de loja de tecidos, e Delmina Simões de Mateus de Lima.

         A infância de Jorge de Lima foi toda vivida em União dos Palmares no sobrado colonial da família, que ficava na praça da Matriz. Do sobrado, o poeta via o pátio da igreja, a movimentação da cidade, a festa da padroeira Santa Maria Madalena e, aos sete anos, presenciou a passagem do século XIX para o XX. Registros há de que muito da influência religiosa e lírica na poesia de Jorge de Lima deve-se à admiração àquela Santa.

         O estabelecimento comercial de seu pai prosperou e isto permitiu que uma filial fosse aberta na capital alagoana. Sendo assim, no final do ano de 1902, o senhor José Mateus continuou em União dos Palmares e a família foi para Maceió. Parte do estudo primário de Jorge de Lima foi realizado em sua terra natal e parte no Instituto Alagoano, em Maceió. Quando este foi fechado, os pais de Jorge resolveram matriculá-lo no Colégio Diocesano de Alagoas, de propriedade dos Irmãos Maristas. Foi neste Colégio que ele também fez o curso preparatório para a faculdade.

        Em 1908, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, porém graduou-se, em 19 de dezembro de 1914, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Recém-formado, voltou para sua terra natal. A cidade fez uma recepção festiva para o seu primeiro médico e o seu segundo poeta (o primeiro foi o Dr. Manoel Bezerra Corrêa de Oliveira). Em 1915, a família se transfere para Maceió e Jorge passou a dar consultas na Farmácia Industrial. Fez sucesso como médico. Como poeta foi muito elogiado pela imprensa por seus trabalhos: XIX Alexandrinos e o poema O Acendedor de Lampiões.

        Casou em 5 de fevereiro de 1917, aos 24 anos, com Ádila, cunhada do capitão de corveta Luís Bezerra Cavalcanti, que comandava a Escola de Aprendizes Marinheiros, em Maceió. Com ela teve dois filhos: Maria Tereza e Mário Jorge.

        Militou na política sendo eleito deputado estadual pelo Partido Republicano de Alagoas e presidente da Câmara por dois anos. Em 1930, transferiu-se para o Rio de Janeiro onde lecionou literatura brasileira na Universidade do Brasil e na Universidade do Distrito Federal. Depois do fim do Estado Novo (1937-1945) elegeu-se vereador no Distrito Federal pela União Democrática Nacional (UDN).

        Começou a rabiscar seus primeiros versos aos seis anos, na casa onde nasceu. Aos treze, compôs o soneto O Acendedor de Lampiões, seu primeiro sucesso como poeta.

         Em 1914, aos vinte e um anos, publicou, simultaneamente, a sua tese de doutoramento, e seu primeiro livro, XIV Alexandrinos com poemas no estilo parnasiano, o que lhe valeu, mais tarde, o título de Príncipe dos poetas de Alagoas. Poemas, seu segundo livro, escrito em 1925 e publicado em 1927, traz versos livres e linguagem coloquial.

        A trajetória poética de Jorge de Lima foi crescente, o que levou estudiosos da literatura brasileira a dividi-la em três fases: “a primeira, se estabelece a partir de rígidos princípios parnasianos; a segunda, é a fase nordestina por se vincular ao universo regional alagoano; e a terceira, é a fase religiosa, já que o autor impregna seus poemas de conteúdos místicos e metafísicos”.

         Embora Jorge de Lima tenha iniciado sua obra literária no estilo parnasiano, em meados do ano de 1927 a sua adesão ao modernismo é oficializada com a publicação  d’O Mundo do Menino Impossível.

        Algumas das obras de Jorge de Lima foram traduzidas, a exemplo do livros Poemas, para o espanhol; e Vida de São Francisco de Assis e Aventuras de Malasarte, para a língua alemã.

         Foi tradutor de várias obras, dentre elas Os Judeus, de Jacques Mantain e Paul Claudel; e Morte, onde está tua vitória? de Daniel Rops.

Na década de 1940, recebeu o Grande Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras.

Em 1945, fez sua primeira exposição de pintura, na Associação Brasileira de Imprensa.

Jorge de Lima faleceu no Rio de Janeiro, aos 60 anos, no dia 15 de novembro de 1953.

PRINCIPAIS OBRAS:

Poemas:

XIV Alexandrinos (1914); O Mundo do Menino Impossível (1927); Poemas (1927); Novos Poemas (1928); Poemas Escolhidos (1934); Tempo e Eternidade (1935) - em colaboração com Murilo Mendes; A Túnica Inconsútil (1938); Poemas (em castelhano) (1939); Anunciação e Encontro de Mira-Celi (1943); Poemas Negros (1947); Livro de Sonetos (1949); Obra Poética (1950);Invenção de Orfeu (1952); Castro Alves - Vidinha (1952).

 Romances:

Salomão e as Mulheres (1927); O Anjo (1934); Calunga (1935); Mulher Obscura (1939); Guerra dentro do Beco (1950).

Ensaios, história, biografias:

A Comédia dos Erros (1923); Dois Ensaios (1934) [Proust e Todos Cantam sua Terra]; Anchieta (1934)

Literatura Infantil e Religiosa:

História da Terra e da Humanidade (1937); Vida de São Francisco de Assis (1942); D. Vital (1945); Vida de Santo Antonio (1947). 

Recife, 31 de maio de 2010.

FONTES CONSULTADAS:

CAVALCANTI, Povina. Vida e obra de Jorge de Lima. Rio de Janeiro: Edições Correio da Manhã, 1969.

JORGE de Lima. Disponível em:
<http://www.uniaodospalmaresal.com.br/informacao.php?p=1>. Acesso em: 22 maio 2010.

JORGE de Lima. Disponível em:
<http://www.bmsr.com.br/autores/detalhe_autor.asp?cod=Jorge%20de%20LIMA>. Acesso em: 22 maio 2010.

 JORGE de Lima. Disponível em:
<http://educaterra.terra.com.br/literatura/temadomes/2004/07/21/001.htm>. Acesso em: 22 maio 2010.

JORGE de Lima. Disponível em:
<http://.antoniomiranda.com.br/iberoamerica/Brasil/jorge_de_lima.html>. Acesso em: 22 maio 2010.

JORGE de Lima. Disponível em:
http://www.releituras.com/jorgelima_menu.asp>. Acesso em: 22 maio 2010.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

BARBOSA, Virginia. Jorge de Lima. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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