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Arthur Ramos

Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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[...] a [obra] de Arthur Ramos foi uma evolução da psiquiatria para a antropologia, psicanálise, folclore, antropologia. No centro dos seus estudos, o negro brasileiro. [...]
Antônio Carlos Villaça,  Jornal do Brasil, 31 out. 1974.

 

Arthur de Araújo Pereira Ramos nasceu no município de Pilar, atual Manguaba, em Algoas, na casa nº 195 da rua Amazonas (hoje Av. Wenceslau Batista), no dia 7 de julho de 1903, filho do médico Manuel Ramos de Araújo e Ana Ramos.

Iniciou seus estudos primários em Pilar, completando-os em Maceió, no Colégio São João e no Liceu Alagoano. Aos 15 anos, em 1918, teve seu primeiro  trabalho publicado, em letra de forma como havia escrito. Trata-se de uma carta, dirigida ao irmão, Nilo Ramos, redator-chefe do semanário O Pilar, enaltecendo o jornal que a publicou sob o título Carta.

Em 1921, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, recebendo o título de Doutor em Ciências Médicas Cirúrgicas após a defesa da tese Primitivo e loucura, em 1926, trabalho que recebeu elogios de Sigmund Freud, e do famoso psiquiatra suiço Paul Eugen Bleuler.

Ainda como estudante de medicina, iniciou sua colaboração em jornais de Alagoas e da Bahia, publicando vários artigos sobre folclore como O culto da lua na história e no folclore, Tradições Africo-brasileiras (1922); Cavalhadas (1923); Folclore e sociologfia, A poesia popular, A ciência do folclore, Autos de Natal (1924).

Exerceu diversas atividades em instituições baianas entre as quais o Hospital São João de Deus, onde estudou o fenômeno da possessão entre os negros da Bahia,e o Instituto Nina Rodrigues, local em que, como médico-legista, desenvolveu atividades científicas, escrevendo sobre criminologia, medicina legal e psicopatologia forense.  

Em 1928, fez o concurso para livre-docente de Clínica Psiquiátrica, da Faculdade de Medicina da Bahia, defendendo a tese A sordície nos alienados: ensaio de uma psicopatologia da imundice, trabalho também bastante elogiado pelo professor Paul Bleuler. 

Nomeado por Anísio Teixeira como chefe da seção Técnica de Ortofrenia e Higiene Mental, do Departamento de Educação da Secretaria Geral de Educação e Cultura, no então Distrito Federal, mudou-se, em 1934, para o Rio de Janeiro, onde instalou as primeiras clínicas ortofrênicas (ramo da medicina que se ocupa de doenças mentais) nas Escolas Experimentais, inaugurando o primeiro Serviço de Higiene Mental aplicada à Escola no país. Indicado por Afrânio Peixoto, torna-se também, na época, professor de Psicologia Social na Universidade do Distrito Federal (então o Rio de Janeiro).

Casou-se, em 1935, com Luisa Gallet, viúva de Luciano Gallet, que foi sua grande colaboradora e a quem dedicou várias obras. Não tiveram filhos.

Participou, em 1936, do 2º Congresso Afro-Brasileiro da Bahia, apresentando trabalhos onde demonstrava a prioridade dos estudos negros realizados no estado e ressaltava a importância do pesquisador baiano Nina Rodrigues.

A partir de 1937, Arthur Ramos mesmo trabalhando em clinica médica, se voltou, cada vez mais, para o estudo da cultura e do folclore brasileiros, especializando-se no campo da antropologia. Intelectual com conhecimento em diferentes áreas como psiquiatria, educação, psicanálise, medicina legal, higiene mental, antropologia, etnografia e neurologia, suas atividades abrangeram práticas de ensino, pesquisa, clínica, ação educativa e criminal.

Contemplado com uma bolsa de estudos pela Fundação Guggenheim, em 1941, viajou aos Estados Unidos para participar de mesas redondas e proferir palestras em universidades norte-americanas, entre as quais a de Harvard, Louisiana, Columbia, Califórnia, Minnesota e Yale.

Ao voltar ao Brasil, ainda em 1941, fundou a Sociedade Brasileira de Antropologia e Etnografia tornando-se seu primeiro presidente.

Foi membro de diversas instituições científicas brasileiras, como a Sociedade  Brasileira de Neurologia e Psiquiatria e a Liga Brasileira de Higiene Mental.

Ao prestar concurso para a cadeira de Antropologia, da Universidade do Brasil, em 1945, com a tese A organização dual entre os índios brasileiros, apresentou no curriculo 1.234 títulos, 432 livros e artigos publicados, 96 cursos e conferências e 57 entrevistas.

Seus livros foram traduzidos no México, Estados Unidos, Alemanha e França.

Foi convidado, no final dos anos 1940, para exercer o cargo de diretor do Departamento de Ciências Sociais da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em Paris, sendo o responsável pelo esboço do  Projeto UNESCO no Brasil, implantado na década de 1950.

Entre as suas principais obras podem ser destacadas:

Primitivo e loucura (1926); A sordície nos alienados: ensaio de uma psicopatologia da imundice (1928); Estudos de psicanálise (1931); Os horizontes místicos do negro da Bahia (1932); Psiquiatria e psicanálise (1933?); A tecnica da psicanálise infantil... (1933); Freud, Adler, Jung: ensaio de psicanálise ortodoxa e heretica (1933); O negro brasileiro: etnografia religiosa e psicanálise (1934); Educação e psicanálise (1934); A higiene mental nas escolas: esquema de organização (1935);  O folk-lore negro do Brasil: demopsicologia e psicanálise (1935); Introdução à Psicologia Social (1936); A mentira infantil (1937); Loucura e crime: questões de psiquiatria, medicina forense e psicologia social (1937); As culturas negras no Novo Mundo (1937); Saúde do espírito: higiene mental (1939); Pauperismo e higiene mental (1939); A criança problema: a higiene mental na escola primária (1939); O negro brasileiro (1940); A aculturação negra no Brasil (1942); Guerra e relações de raça (1943); Las poblaciones del Brasil (1944); As Ciências Sociais e os problemas de após-guerra (1944); Introdução à antropologia brasileira (1943-1947,  2 v.); A organização dual entre os índios brasileiros (1945); Curriculum Vitae (uma espécie de autobiografia, 1945); A renda de bilros e sua aculturação no Brasil (com a colaboração da esposa Luiza Ramos, 1948).

Postumamente foram publicados Estudos de folk-lore: definições e limites, teorias de intepretação (1951); Le métissage au Brésil (Paris, 1952); O negro na civilização brasileira (1956) e A mestiçagem no Brasil (2004).

Arthur Ramos morreu em Paris, aos 46 anos de idade,  vítima de um edema pulmonar, no dia 31 de outubro de 1949.



Recife, 19 de outubro de 2010.
Atualizado em 18 de julho de 2017. 

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

ARTHUR Ramos [Foto neste texto]. Disponível em: <https://manifestoalfarrabio.files.wordpress.com/2012/04/arthurramos.jpg>.  Acesso em: 18 jul. 2017.

GIRÃO, Valdelice Carneiro. Arthur Ramos e sua coleção. Fortaleza: UFCE, Imprensa Universitária, 1983.

LAGES, Lily. Arthur Ramos e sua luta contra a discriminação racial. Rio de Janeiro: Folha Carioca, [1997?].

RIOS, José Arthur. Arthur Ramos, de Araujo Pereira. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, ano 166, n. 428, p. 177-179, jul./set. 2005.

SAPUCAIA, Antonio (Org.). Relembrando Arthur Ramos. Maceió: Edufal, 2003.





COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

Fonte: GASPAR, Lúcia. Arthur Ramos. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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