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São Severino dos Ramos

Maria do Carmo Andrade
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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As fontes consultadas sobre a história de São Severino divergem com relação à data de seu nascimento e morte, mas todas revelam que ele nasceu e morreu no século V. Era um rico cidadão romano que doou seus bens materiais para os pobres e iniciou uma vida monástica no Egito e na Síria, realizando importante trabalho missionário nas regiões da Áustria e Iugoslávia. Empenhado nas pregações penitenciais, o monge Severino vivia pacificando os bárbaros que ameaçavam destruir as colônias cristãs.

Libertou os escravos das mãos dos bárbaros e realizou milagres através de suas orações, afastando praga de gafanhotos que ameaçava acabar com colheitas no inverno, quando o rio Danúbio ficava completamente congelado. Andava descalço e era comum fazer apenas uma refeição por semana. São imprecisas as informações sobre esse homem, considerado santo e respeitado por muitos. Alguns anos depois de sua morte, seu corpo foi trasladado para Nápoles onde o grande Monastério Beneditino de São Severino foi construído para ser o santuário das suas relíquias.

No Brasil, existe um Santuário em homenagem a São Severino. A historiadora Aline Pereira afirma que, de acordo com a tradição oral, a imagem do Santo teria sido trazida da Europa, como presente de um sacerdote à sua mãe, antiga proprietária do Engenho Ramos. Espalhou-se, então, a notícia que no local encontrava-se sepultado um cadáver milagroso, fato que atraiu a visita de pessoas para as práticas devocionais e obtenção de milagres.

O Santuário em homenagem a São Severino está na Capela de Nossa Senhora da Luz, hoje mais conhecida como Igreja de São Severino, nas terras do antigo Engenho Ramos (desativado na década de 1920), situado em Paudalho, município da Zona da Mata pernambucana, a 47 km do Recife, capital do Estado.

Datam de meados do século XIX, os primeiros relatos de milagre atribuídos a São Severino, que passou a ser chamado de São Severino do Ramos, ficando subentendido do (Engenho) Ramos. Há quem discorde dessa concordância, preferindo dizer do Ramo ou dos Ramos.

Não se sabe precisar em que data os romeiros começaram a afluir para a Capela de Nossa Senhora da Luz, mais precisamente para o altar lateral da Capela onde está a imagem de São Severino, deitado e em tamanho natural, tida como milagrosa.

A capela foi ampliada para atender melhor a demanda dos peregrinos que aumentava dia-a-dia. Há uma edificação anexa, chamada de casa dos milagres, destinada à exposição dos ex-votos, abreviação latina de  ex-voto suscepto, ou seja, o voto realizado. O termo representa pinturas, estatuetas e variados objetos doados às divindades como forma de agradecimento por um pedido atendido.

Quando começou a ser denominado do Ramos, ocorreu certa confusão ou associação com o Domingo de Ramos, liturgia religiosa que precede a Semana Santa, comemorativa da entrada de Jesus em Jerusalém, quando a população o recebeu empunhado ramos de árvores. Assim, os peregrinos passaram a considerar o Domingo de Ramos como a melhor data para homenagear o Santo, apesar do dia dedicado ao Santo ser o oito de janeiro.

Especula-se que o Santuário de São Severino do Ramos é hoje o maior centro de romaria de Pernambuco e o terceiro do Brasil.

Entre os folhetos de cordel existentes no Nordeste afora sobre São Severino do Ramos, pode-se destacar um pertencente ao acervo de obras raras e preciosas da  Biblioteca Central Blanche Knopf, da Fundação Joaquim Nabuco.

A verdade é que São Severino do Ramos tornou-se um santo muito popular, principalmente no Nordeste do Brasil. Aline Pereira, numa analogia à poesia Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto (O meu nome é Severino, / como não tenho outro de pia./ Como há muitos Severinos,/ que é santo de romaria  [...] afirma que São Severino é mais um Severino sem identidade e origem, como tantos Severinos que formam o Brasil. Os romeiros elegeram São Severino do Ramos como seu protetor, como o herói que irá protegê-los de todos os males.

Recife, 21 de março de 2011.

FONTES CONSULTADAS:

ENCICLOPEDIA BRASILEIRA MÉRITO. São Paulo: Ed. Mérito, 1962. v.18.

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO DE PERNAMBUCO. Paudalho. Recife: Condepe, 1987. (Monografias municipais, 26).

UM MILAGRE em Paudalho. Disponível em: <http:// Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. >. Acesso em: 14 fev.2011.

SÃO Severino. Portal Católico. Disponível em: <http://www.tudook.com/portalcatolico/sao_severino.html>. Acesso em: 14 fev. 2011.

COMO CITAR ESTE TEXTO:


ANDRADE, Maria do Carmo. São Severino do Ramos. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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