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Gentil Cardoso

Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Gentil Alves Cardoso nasceu no Recife, no bairro da Torre (localidade conhecida como Sítio dos Cardoso), em 5 de julho de 1900.

Antes de iniciar sua carreira de técnico de futebol trabalhou como engraxate, motorneiro, garçom, padeiro. Foi ainda marinheiro e capitão reformado da Aeronáutica.

Aos treze anos, ingressou na Escola de Aprendizes Artífices de Pernambuco e, posteriormente, na Marinha de Guerra, onde participou de operações, sob o comando dos ingleses, durante a Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918). Condecorado com as medalhas militares Vitória, Cruz de Campanha (primeira classe), Atlântico Sul e Mérito Militar era considerado um herói pelos seus ex-colegas militares.

Depois da Marinha serviu na Aeronáutica, onde encerrou sua carreira como militar.

Fez cursos de maquinista auxiliar e técnico de aviação na antiga escola de profissionais da Armada.

Iniciou sua carreira como técnico de futebol no Rio de Janeiro, onde foi treinador de todos os times da época, com exceção do Madureira. Fez história no futebol carioca, principalmente, nos times do Flamengo e do Vasco da Gama. Conseguiu ser campeão carioca pelo Fluminense (1946) e pelo Vasco (1952). Quando era técnico do Botafogo foi o responsável pela contratação de Garrincha.

Treinou também os paulistas Corinthians e Ponte Preta (Campinas) e comandou a Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano de 1959. Nunca foi convidado para dirigir a seleção brasileira, segundo ele por racismo. Essa foi uma de suas grandes frustrações.

[...] Nunca dirigi uma seleção brasileira. Por que não era bom técnico? Ou porque .. Numa certa época, no Rio de Janeiro, entre três técnicos em evidência, eu era o único que preenchia os requisitos legais, além dos campeonatos conquistados. Terminei sendo preterido. Por dois calouros na profissão. Tudo por causa da cor. Nada mais...

Gentil Cardoso foi o primeiro técnico que conseguiu ser campeão pelos três grandes times de Pernambuco: Sport Club do Recife, em 1955; Santa Cruz Futebol Clube, em 1959 e Clube Náutico Capibaribe, em 1960.

Apesar de ter sido técnico durante 44 anos da sua vida, ficou mais conhecido como o criador de frases de efeito e histórias engraçadas do que pelos títulos que conquistou como treinador de futebol.

É dele, por exemplo, o termo cobra, para indicar um bom jogador; a expressão vai dar zebra, quando um time pequeno vai enfrentar um time grande e pode vir a ganhar ou deu zebra quando isso acontece.

Muitas de suas frases fazem parte do folclore do futebol brasileiro e são  repetidas até hoje:

• O craque trata a bola de você, não de excelência.

• Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência.

• Daqui pra frente, quero todo mundo indo pra cima e chutando a bola pra dentro da área de qualquer ângulo. Sabe como é: contra time pequeno, bola na bunda é pênalti.

• A bola é de couro, o couro vem da vaca, a vaca gosta de grama, então joga rasteiro, meu filho.

• Estou com o povo e quem está com o povo não perde o poder.

• Se vocês me deram Ademir, eu lhes darei o campeonato (quando o Fluminense atendendo ao seu pedido para contratar Ademir da Guia foi campeão carioca de 1946).

• Meu time vencer é a mesma coisa que dar zebra no jogo do bicho (quando treinava o fraco time da Portuguesa do Rio de Janeiro).

•  Só me chamam pra enterro, ninguém me convida pra comer bolo de noiva. (pois dizia que só era convidado para ser técnico de times com problemas).

Gentil Cardoso morreu no Rio de Janeiro, no dia 8 de setembro de 1970.



Recife, 27 de maio de 2011.

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

ALBUM de Futebol - Gentil Cardoso – o filósofo. Jornal O Estado de São Paulo – 1970. Disponível em: <http://www.museudosesportes.com.br/noticia.php?id=10852>. Acesso em: 25 maio 2011.

GENTIL Cardoso. Disponível em: <http://www.pe-az.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1405&Itemid=143>. Acesso em: 27 maio 2011.

GENTIL Cardoso. Disponível em:<http://www.lancepedia.com.br/tecnicos/gentil-cardoso/>. Acesso em: 25 maio 2011.

GENTIL Cardoso [Foto neste texto]. Disponível em: <goo.gl/bBa8Y2>. Acesso em: 19 jul. 2017.

GENTIL Cardoso: a cor me persegue! Revista do Nordeste, Recife, ano 2, n. 14, p. 28-31, maio, 1959.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

Fonte: GASPAR, Lúcia. Gentil Cardoso. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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