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Chegança
Albino Oliveira
Museólogo da Fundação Joaquim Nabuco
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 Chegança é um auto popular do Nordeste do Brasil baseado em antigas tradições ibéricas celebradas em romances de inspiração marítima e em danças que representam combates entre cristãos e mouros.

 Alguns pesquisadores afirmam que o termo Chegança é originário de palavras náuticas como “chegar”, que significa dobrar as velas à chegada do navio, ou “chegada”, no sentido de abordagem.

 A encenação da Chegança começou a se popularizar no território brasileiro no início do século XIX. Normalmente é apresentada no período natalino, mas em algumas cidades ribeirinhas ela se incorpora aos festejos de Bom Jesus dos Navegantes alongando seu período de apresentação até fevereiro.

 Os figurantes da Chegança se apresentam trajados como marujos da Marinha e atuam como se fossem tripulantes de embarcação em viagem, de acordo com suas patentes e postos.

 Em Laranjeiras, cidade histórica do estado de Sergipe localizada às margens do Rio Cotinguiba, visando dar maior realismo à representação, os figurantes embarcam e navegam um pequeno trecho do rio, desembarcando em seguida para dar prosseguimento à encenação.

A Chegança é representada em vários episódios chamados de jornadas, sendo as mais comuns: O Embarque, normalmente a primeira a se apresentar, figurando como o início de uma viagem por mar; O Anau Perdido, que lembra uma tempestade ameaçadora; A Rezinga Grande, que conta a desavença entre o Piloto e o Patrão; O Contrabando dos Guardas-Marinha, que denuncia contrabando no navio; A Agulha de Marear, que remete a perda do instrumento de orientação; e A Mourama ou Combate, ponto alto da Chegança onde é travada a luta entre mouros e cristãos.

 O enredo de apresentação da Chegança é desenvolvido à base de declamações e, sobretudo, cantos acompanhados de música e dança. Sua música instrumental é realizada por quatro ou seis pandeiros e um apito utilizado pelo Piloto ou pelo General para o comando das evoluções e mudança de “marchas”. As “marchas” correspondem aos toques dos pandeiros e se dividem em: marcha batida, marcha bailada, marcha ligeira e marcha lenta.

 A variação da marcha está diretamente relacionada com a situação apresentada e é utilizada para quebrar a monotonia da longa apresentação. A “marcha lenta”, por exemplo, é tocada no episódio do Piloto Ferido, enquanto a “marcha ligeira” representa os preparativos de guerra.

 A disposição básica dos personagens da Chegança é em fileiras e a movimentação dos pés é mínima durante a dança. Sem sair do lugar os dançarinos movimentam o corpo de um lado para o outro, imitando acompanhar o movimento de uma embarcação no mar.

 O auto se inicia com o sair do grupo entoando as “marchas de rua” cuja mais tradicional, segundo Théo Brandão, é:

Alerta, alerta, quem dorme,

Olha a moça na janela;

Venha ver o nau tirano

Quando vai largando a vela.

Ô, meu Deus, que terra é aquela,

Terra de tanta alegria

- É o campo do Rosário

Onde festejam Maria

Entramos neste nau de guerra

Todos nós com muita alegria,

Pra festejar o Nascimento

De Jesus que é filho de Maria!

Entramos com gosto, com muita alegria

Louvores viemos dar à Virgem Maria!

A Virgem Maria seja nossa guia

Ela nos queira ajudar hoje e por todo o dia!


Recife, 20 de dezembro de 2011.


FONTES CONSULTADAS:

 BRANDÃO, Théo. Folguedos natalinos: chegança. Maceió: Universidade Federal de Alagoas; Museu Théo Brandão, [1976?]. (Coleção Folclórica da UFAL, 25).

DANTAS, Beatriz G. Chegança. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura; Departamento de Assuntos Culturais; Fundação Nacional de Arte, [1977?]. (Cadernos de folclore, 14).

MENDENGO FILHO, Pedro. Chegança: um dramalhão de ritual esquecido. Rio de Janeiro, 2008. Disponível em: <http://www.aldeiamaracu.org.br/cheganca.pdf>. Acesso em: 20 dez. 2011.


COMO CITAR ESTE TEXTO:

 Fonte: OLIVEIRA, Albino. ChegançaPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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