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Tacacá

Maria do Carmo Andrade
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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O
tacacá é um prato típico da região amazônica brasileira, feito à base do tucupi (caldo amarelo extraído da mandioca brava), e da goma de tapioca também extraída da mandioca. É mais comumente encontrado no Acre, Pará, Rondônia e Amapá. Segundo o pesquisador e escritor Luis da Câmara Cascudo esse alimento é derivado de uma espécie de sopa chamada de mani poi que fazia parte dos hábitos alimentares dos índios do Pará.

Em geral, o amazonense não consome o tacacá como refeição principal. Ele é degustado como uma espécie de aperitivo, no final da tarde, nas tradicionais tacacazeiras. As vendedoras de tacacá, chamadas de tacacazeiras, são figuras típicas das ruas de várias cidades amazônicas e já foram imortalizadas por vários artistas tais como a paraense Antonieta Santos Feio, em obra de 1937 que faz parte do acervo do Museu de Arte de Belém. O tacacá também já foi cantado em verso e prosa como na música Tacacá de Luiz Gonzaga. As tacacazeiras geralmente têm um ponto fixo de venda que permanece por décadas, sendo passado de geração em geração e conhecido por toda freguesia.

Uma das principais características do tacacá é ser servido muito quente em cuias que são levadas diretamente à boca e sorvido em pequenas quantidades, utilizando-se um palitinho de madeira para comer o camarão ou o jambu (erva típica da região Norte do Brasil, também conhecida como agrião-do-Pará). Porém, independente do clima e da temperatura, o tacacá é sempre tomado quente a qualquer hora do dia. Em decorrência dessa característica, a partir da década de 1990, para se tomar o tacacá mais confortavelmente, foi incluído um suporte (cestinha de palha) na base da cuia. 

Os ingredientes básicos da receita do tacacá são: tucupi, goma de tapioca, camarão seco salgado, jambu, chicória, sal, alho e pimenta de cheiro. O preparo do tacacá passa primeiro pela obtenção do tucupi, que envolve um demorado processo artesanal, depois pela goma, daí então começa o cozimento do tucupi, devidamente temperado com chicória, sal, alho e pimenta de cheiro.

Respeitando possíveis variações no preparo e apresentação do tacacá, pode-se sugerir a seguinte receita: a partir do caldo (tucupi) pronto, começa-se a montagem do tacacá para ser servido. Em uma cuia, coloca-se uma porção do tucupi e, em seguida, acrescenta-se a goma de tapioca; na sequência, adicionam-se os ramos do jambu e depois os camarões secos. Finalmente, acrescenta-se mais tucupi para completar a cuia.

Tacacá
Luís Gonzaga

Quem vai a Belém do Pará,
desde a hora em que sai
não se esquece de lá,
quer voltar.

Lembrar o açaí, o tacacá,
que saudade que dá
de Belém do Pará!

Orar na Matriz de Belém,
conversar com alguém,
como é bom recordar!

Jesus em Belém foi nascer,
eu quisera morrer
em Belém do Pará.

Tá aqui tucupi,
tem mais o jambu,
também camarão.
Quem quer tacacá?


Recife, 3 de dezembro de 2012.

FONTES CONSULTADAS:

CASCUDO, Luís Câmara. Historia da alimentação no Brasil. São Paulo: Global, 2004.

CULINÁRIA amazônica: o sabor da natureza. Rio de Janeiro: SENAC Nacional, 2000.

ORICO, Osvaldo. Cozinha amazônica: uma autobiografia do paladar. Belém: Universidade Federal do Pará, 1972.

OLIVIER Anquier prefere tacacá. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=aeLF1gtT16A>. Acesso em: 3 dez. 2012.

TACACÁ [Foto neste texto]. Disponível em: <http://acritica.uol.com.br/vida/Sopas-alternativas-deliciosas-ressaca-Carnaval_0_647935233.html>. Acesso em: 7 dez. 2012.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. Tacacá. Pesquisa Escolar Online. Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex.: 6 ago. 2009.

 

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