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César Leal
Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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[...] De César Leal sempre se dirá que buscou o rigor, a escultura exata, a luminosidade fresca e ofuscante da última ou da primeira manhã do mundo. 
Paulo Gustavo, Um poeta para os seus pares, 2013.
 
O poeta, crítico de poesia e professor Francisco César Leal nasceu na Fazenda Belmonte, na cidade de Saboeiro, Ceará, no dia 20 de março de 1924, filho de Manuel Fernandes Leal e Francisca César Braga Leal.

Graduado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, fez um curso de especialização em Ensino e Aprendizagem na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e possuía o título de NS (Notório Saber) concedido pelo Conselho Federal de Educação.

Antes de se radicar no Recife em 1952, morou em diversas cidades brasileiras entre as quais Manaus, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde iniciou sua carreira literária como colaborador da revista Vocação. 

No Recife, ingressou como repórter do Diario de Pernambuco e, posteriormente, assumiu o cargo de assistente de direção a convite de Mauro Mota, então diretor do jornal. Em 1960, passou a ser redator do Suplemento Literário do Jornal, onde publicou contribuições de diversos participantes do grupo literário pernambucano conhecido como Geração 65.

Em 1966, tornou-se editor da revista Estudos Universitários, publicada pela UFPE, cargo que ocupou até 2003. 
Fez diversas visitas a universidades norte-americanas e tornou-se o primeiro poeta de língua portuguesa a gravar ao vivo seus poemas para a Biblioteca de Poesia da Universidade de Harvard, em 1970.

Professor de Teoria Literária e Literatura Brasileira da UFPE, foi um dos fundadores do Programa de Pós-Graduação em Letras dessa Universidade, criado em 1975.

Além de membro do Seminário de Tropicologia, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), na época em que era realizado na UFPE (1967-1980), participou também como membro titular do Conselho Diretor da Fundaj, representando o Ministério da Educação (1980-1984) e o Ministério da Cultura (1985-1988).

Nomeado pelo então presidente José Sarney, por indicação de Celso Furtado, foi membro titular do Conselho Federal de Cultura (1987-1990) e, posteriormente, do Conselho Superior de Liberdade de Criação e Expressão do Ministério da Justiça (1989-1990). 

Em 1993 e 1994, durante o governo de Itamar Franco, integrou o chamado Grupo dos 17, da Comissão Nacional do Cinema, e foi membro titular do Conselho Nacional de Política Cultural (1993-1996).

Recebeu vários prêmios literários, entre os quais o Menendez y Pelayo, do Instituto de Cultura Hispânica, pelo estudo crítico Menendez y Pelayo e a estética hegeliana (1956); o Vânia Souto Carvalho, da Academia Pernambucana de Letras, pelo livro de poesias Invenções da noite menor (1958); o de Teoria e Crítica Othon Bezerra de Melo, da Academia Pernambucana de Letras, por um ensaio sobre Machado de Assis e Jorge de Lima (1964); o da Fundação Cultural do Distrito Federal, Brasília, pelo livro Jornal do verão (1970); o Olavo Bilac pelo livro Constelações (1987) e o Machado de Assis, pelo conjunto da obra (2006), ambos conferidos pela Academia Brasileira de Letras (ABL).

Foi agraciado com a Medalha Machado de Assis, pela União Brasileira de Escritores, de Nova York, por seu livro Tempo e Vida na Terra, considerado uma das mais representativas obras de poesia da língua portuguesa no século XX (2000). 

Em 2006, foi homenageado pelo Colóquio de Estudos Literários Contemporâneos, dentro das comemorações pelos sessenta anos da UFPE, trinta da Pós-Graduação em Letras e da Criação do Centro de Artes e Comunicação. No mesmo ano, em novembro, recebeu a Premiação Categoria Arte, homenagem conferida pelo I Simpósio Brasileiro de Neurociências Cognitivas e o XIV Simpósio Sobre o Cérebro, realizado pelo Centro de Ciências da Saúde da UFPE. 

Participou como membro do conselho editorial de diversas revistas, entre as quais, Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional, Calibán, Tempo Brasileiro, todas do Rio de Janeiro e Eutomia, do Departamento de Letras da UFPE. Tem várias colaborações em periódicos nacionais e estrangeiros, suplementos culturais e jornais, entre os quais O Estado de S. Paulo. 

Eleito para a cadeira 23, da Academia Pernambucana de Letras (2007), a mesma ocupada anteriormente por Gilberto Freyre (1952-1986), assumiu a vaga aberta pelo falecimento do acadêmico Evaldo Bezerra Coutinho.

Reconhecido pelos inúmeros serviços prestados à Brazilian Endowments for the Arts, com sede em Nova York, foi indicado para a vice-presidência do seu Conselho de Cultura, em 2010 e, recentemente, recebeu o Prêmio Ars Latina, concedido pela Sociedade de Escritores da Romênia. 

Recebeu da Assembleia Legislativa do Estado, o título de Cidadão Pernambucano,  sendo homenageado também pela prefeitura da Cidade do Recife, em 2004.

Relator no Conselho Federal de Cultura do Parecer que resultou na criação do Prêmio Luís de Camões, em 1988 – maior láurea existente na literatura de expressão portuguesa instituído pelos governos de Portugal e do Brasil –, integrou o Júri da sua edição de 2000.

Autor de 22 livros de poesia e ensaio, um romance ensaístico intitulado Minha amante em Leipzig, publicou ainda dezenas de artigos em periódicos nacionais e estrangeiros. Abaixo, a relação cronológica dos seus livros:

Invenções da noite menor (1957 - 2ª edição, 1997)
Romance de Pantaju (1962)
O triunfo das águas (1968 e edição bilíngue alemão/português – Der triumph der wasser, 2008) 
Jornal do verão (1969)
A quinta estação (1972); 
Introdução ao estudo da poesia de Camões (1975)
Literatura: a palavra como forma de ação (1978)
Tambor cósmico (1978)
Os heróis (1983 - 2ª edição, 1986)
Os cavaleiros de Júpiter (1986)
Constelações (1986)
O leão e o tigre (1988)
O arranha-céu e outros poemas (1994)
Joaquim Cardozo: poemas selecionados (1996)
Quatro estudos de poesia e quatro poemas (1998)
Tempo e vida na terra (1998)
Alturas (2001)
Minha amante em Leipzig (2001) 
Distinções temporais na poesia (2005)
A águia e o Simurgh: imagens poéticas (2011)
Animal do abismo (2011)
O voo da alma para o absoluto (2012)

Sobre sua obra existem dezenas de ensaios elaborados por especialistas nacionais e estrangeiros. 

César Leal morreu no Recife, aos 89 anos, em 5 de junho de 2013. 

Recife, 14 de junho de 2013.

FONTES CONSULTADAS
:

CÉSAR Leal: biografia. Disponível em: <http://www.cesarlealbr.com/#!biografia/c13po>. Acesso em: 6 jun. 2013.

CÉSAR Leal. [Ilustração neste texto]. Quadro de Gil Vicente. Disponível em: <http://www.interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=322&catid=51>. Aceso em: 18 jun. 2013.

FRANCISCO César Leal. In: CAMPOS, Antônio; CORDEIRO, Cláudia (Org.). Pernambuco, terra da poesia: um painel da poesia pernambucana dos séculos XVI ao XXI.  Recife: IMC- Instituto Maximiano Campos; São Paulo: Escrituras, 2005.  p. 539. 

GUEDES, Diogo. Um mentor a serviço da poesia. Jornal do Commercio, Recife,  6 jun. 2013. Caderno C, p. 4.  

LEAL, César. O romance do poeta. Continente Multicultural, Recife, ano 2, n. 15, p. 27-32, mar. 2002. Entrevista.

PAULO GUSTAVO. Um poeta para os seus pares. Jornal do Commercio, Recife,  6 jun. 2013. Caderno C, p. 4.  

COMO CITAR ESTE TEXTO
:

Fonte: GASPAR, Lúcia. César Leal. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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